Relatório qualitativo integrado · Fase 3 · Finalidade A (apêndice metodológico acadêmico)

Avaliação DSR do artefato Challenge Canvas / Challenge Canvas Builder em uso multiorganizacional: análise lexicográfica, codificação e análise discursiva de 13 seminários do Programa GRID (mar–jul/2026)

Corpus pseudonimizado de 13 transcrições (PT e ES; 181.486 palavras nas transcrições segundo os metadados; 170.742 ocorrências lexicais válidas após tokenização), 300 segmentos codificados com 27 códigos (codebook v2), confiabilidade intercodificador verificada (κ agrupado = 0,557) e análise discursiva em três tradições declaradas. Suporte à seção de avaliação de artigo em preparação para a Technovation.

dados reais (script) identifica figuras calculadas diretamente dos arquivos do projeto; [reprodução conceitual] identifica figuras que reproduzem o formato de saída de software não executado (IRaMuTeQ), conforme o Passo 3 da skill.

1. Sumário executivo

13sessões (S01–S13), 06/03–21/07/2026
181.486palavras (metadados das transcrições)
300segmentos codificados
27códigos (codebook v2)
570atribuições de código (média 1,9/segmento)
κ = 0,557kappa agrupado (IRR, 59 segmentos)

2. Apresentação metodológica e diferenciação epistemológica

Este relatório integra três camadas analíticas sobre o mesmo corpus, mantendo separadas as tradições que as fundamentam. O objeto empírico é a introdução, o uso e a avaliação do artefato DSR Challenge Canvas / Challenge Canvas Builder (definição de problemas em projetos de inovação) em 13 seminários e reuniões do Programa GRID, envolvendo seis organizações com evidência de uso, dois países e dois idiomas (PT e ES). O quadro avaliativo de referência é o FEDS de Venable, Pries-Heje e Baskerville (2016), com a cadeia de episódios Eval 1–4 de Sonnenberg e vom Brocke (2012), o processo de Peffers, Tuunanen, Rothenberger e Chatterjee (2007) e os critérios de Prat, Comyn-Wattiau e Akoka (2015).

Camada 1 — lexicográfica

Seguindo a abordagem lexicográfica de Reinert (1990) operacionalizada no IRaMuTeQ (Camargo & Justo, 2013), computam-se frequências, especificidades por qui-quadrado, coocorrências em janela deslizante, uma classificação hierárquica descendente por bisseção divisiva sobre a matriz UCE × forma e uma análise fatorial de correspondência por SVD. O IRaMuTeQ não foi executado: todos os coeficientes foram calculados por script Python auditável (reports/scripts/compute_lexical.py → reports/data/lexical.json), e as figuras que reproduzem o formato de saída do software levam a marcação [reprodução conceitual].

Camada 2 — codificação

A codificação seguiu procedimento dedutivo-indutivo na tradição de Mayring (2014): 20 códigos dedutivos derivados do quadro DSR/Technovation e 7 indutivos formados iterativamente por cinco lotes paralelos, consolidados com log de decisão (codebook v2). A exigência de replicabilidade segue Krippendorff (2018), com exercício intercodificador independente e adjudicação documentada. A leitura inferencial das categorias (condições de produção dos juízos avaliativos) apoia-se em Bardin (2016); o agrupamento axial em categorias e a busca de categoria central seguem Strauss e Corbin (1998).

Camada 3 — análise discursiva crítica

Três tradições são mobilizadas separadamente e cada inferência declara a sua: AD francesa formações discursivas, interdiscurso, paráfrase/polissemia e posições-sujeito (Pêcheux, 1995; Orlandi, 2005); ACD modelo tridimensional, transitividade e modalidade (Fairclough, 2001; Halliday & Matthiessen, 2014; Wodak & Meyer, 2001; van Dijk, 2008); Foucault enunciados, regimes de verdade e ordem do discurso (Foucault, 1996). As tradições têm objetos distintos e não são fundidas; a seção 7 explicita convergências e divergências sem sincretismo.

Pseudonimização e rastreabilidade. O corpus usa a convenção documentada em mapping.csv (P01–P72 para pessoas, ORG01–ORG15 para organizações), preservada em todas as camadas. Cada código aponta para segmento_id e linha aproximada da transcrição; os excertos são literais, com ruídos de transcrição automática preservados e glosados (seção 9). Todos os valores numéricos exibidos foram calculados dos arquivos do projeto por scripts gravados em /home/claude/work/reports/scripts/, com resultados intermediários auditáveis em /home/claude/work/reports/data/ (lexical.json, coding.json).

3. Camada 1 — Estatística textual lexicográfica (à la IRaMuTeQ)

Seguindo a abordagem lexicográfica de Reinert (1990) operacionalizada no IRaMuTeQ (Camargo & Justo, 2013), o corpus foi tokenizado com remoção de cabeçalhos de tempo e de falante e filtragem de uma lista de 540 stopwords PT+ES (incluídas as formas de ruído sistemático de transcrição descritas no glossário). As unidades de contexto elementares (UCEs) foram construídas com ~40 palavras; das 4.269 UCEs, 3.816 (89,4%) retiveram pelo menos três formas ativas do vocabulário de análise e entraram na classificação.

3.1 Estatísticas básicas do corpus

Tabela 1 — Dimensões lexicais por sessão dados reais (script)
SessãoData · tipoIdiomaOcorrênciasFormasHapaxTTR
S0106/03 · kick-offpt14.0392.1601.1230.1539
S0213/03 · workshoppt8.2251.5888960.1931
S0328/04 · reunião de projetopt7.5541.1395700.1508
S0418/05 · reunião de projetopt6.9671.1265770.1616
S0525/05 · planejamentopt28.4662.9371.5100.1032
S0602/06 · workshop diretoriapt24.0503.1721.6150.1319
S0719/06 · reunião de projetopt30.4073.3721.7170.1109
S0823/06 · reunión (ES)es15.2522.1871.1710.1434
S0925/06 · reunión (ES)es10.4681.6949260.1618
S1029/06 · sessão acadêmicapt4.9221.1106280.2255
S1114/07 · demonstraçãopt8563151980.368
S1216/07 · oficinapt4.7319945480.2101
S1321/07 · planejamentopt14.8052.3831.2880.161
Corpus total13 sessões. mar–jul/2026pt+es170.74211.0465.2180.0647

A TTR global (0,065) reflete corpus oral longo com alta repetição; sessões curtas (S11, 7 min) apresentam TTR alto por efeito de tamanho, o que impede comparação direta entre sessões de duração distinta.

3.2 Frequências de formas ativas

Figura 1 — 30 formas ativas mais frequentes (leitura inferencial primária de frequências). dados reais (script) Fonte: corpus S01–S13 tokenizado; stopwords PT+ES removidas.
Descrição textual alternativa

Barras horizontais ordenadas: grupo 332, inovação 313, exemplo 279, problema 275, projeto 262, dia 259, processo 219, org 211 (menções a organizações pseudonimizadas), canvas 211, questão 207, ideia 200, programa 193, desafio 174, empresa 173, cloud 173 (forma de transcrição de “Claude”), professor 162, negócio 161, ideias 160, pessoas 159, ponto 157, ferramenta 153, projetos 151, comitê 150, dados 149, caso 148, e demais até criar 131.

Figura 2 — Nuvem de palavras das 100 formas ativas mais frequentes. Elemento ilustrativo, não inferencial (a leitura primária é a Figura 1). [reprodução conceitual] — formato de saída à la IRaMuTeQ; frequências subjacentes reais, calculadas por script.
Descrição textual alternativa

Nuvem com tamanho proporcional à frequência; termos dominantes: grupo, inovação, exemplo, problema, projeto, processo, canvas, desafio, programa, empresa.

3.3 Especificidades por idioma e por sessão

As especificidades usam qui-quadrado 2×2 (forma no subcorpus vs. resto), retendo formas sobrerrepresentadas. O contraste PT × ES separa o léxico técnico da prototipagem (sessões espanholas S08–S09) do léxico de gestão do programa (sessões portuguesas).

Figura 3 — Especificidades lexicais por idioma (χ² 2×2; formas com f≥8 sobrerrepresentadas). dados reais (script) Fonte: subcorpus PT (11 sessões) vs. ES (S08, S09).
Descrição textual alternativa

Subcorpus ES: crear (χ²=422,1), ejemplo (380,4), cómo (375,2), aplicación (328,2), punto (312,6), generar (248,2), prototipo (239,6), datos (239,6), personas (234,4), cloud (216,9). Subcorpus PT: inovação (60,5), exemplo (53,9), projeto (50,6), dia (50,0), processo (42,3), questão (39,9), ideia (38,6), programa (34,9), desafio (33,5), professor (31,2).

Tabela 2 — Cinco formas mais específicas por sessão (χ² 2×2) dados reais (script)
SessãoData · tipoFormas específicas (frequência; χ²)
S0106/03 · kick-offedição (f=12; χ²=88,9), escolher (f=13; χ²=85,6), desafio (f=48; χ²=78,8), vertical (f=7; χ²=73,7), prazer (f=6; χ²=63,2)
S0213/03 · workshopmúsica (f=31; χ²=570,7), bote (f=10; χ²=190,6), espanhol (f=12; χ²=178,2), verificações (f=9; χ²=171,6), comandante (f=7; χ²=133,4)
S0328/04 · reunião de projetorequisitos (f=23; χ²=308,3), entrevista (f=21; χ²=268,9), pdca (f=10; χ²=247,5), cumprir (f=8; χ²=155,2), documento (f=24; χ²=144,1)
S0418/05 · reunião de projetocomputador (f=38; χ²=696,6), antivírus (f=22; χ²=591,2), server (f=10; χ²=220,6), survey (f=9; χ²=215,8), arrumar (f=10; χ²=202,1)
S0525/05 · planejamentoideias (f=108; χ²=312,5), programa (f=110; χ²=238,7), prototipagem (f=27; χ²=140,3), regulamento (f=24; χ²=111,4), desafios (f=58; χ²=110,8)
S0602/06 · workshop diretoriadados (f=80; χ²=173,0), perspectiva (f=46; χ²=96,7), decisões (f=23; χ²=88,5), roteirização (f=14; χ²=78,5), senhor (f=35; χ²=78,1)
S0719/06 · reunião de projetousuário (f=35; χ²=98,3), absenteísmo (f=20; χ²=78,4), retenção (f=13; χ²=54,0), on-board (f=10; χ²=50,9), apoio (f=23; χ²=49,3)
S0823/06 · reunión (ES)aplicación (f=62; χ²=580,0), cómo (f=53; χ²=344,7), cloud (f=84; χ²=307,9), crear (f=50; χ²=257,4), punto (f=42; χ²=255,7)
S0925/06 · reunión (ES)personas (f=41; χ²=520,2), costo (f=35; χ²=436,3), año (f=30; χ²=407,9), agente (f=36; χ²=382,3), ejemplo (f=46; χ²=376,1)
S1029/06 · sessão acadêmicabicho (f=13; χ²=411,7), shopping (f=9; χ²=275,7), delphi (f=8; χ²=274,1), óculos (f=8; χ²=274,1), graus (f=8; χ²=216,1)
S1114/07 · demonstraçãoproduto (f=7; χ²=106,4), quê (f=5; χ²=60,9), caso (f=5; χ²=25,1), ideia (f=5; χ²=16,4)
S1216/07 · oficinaproposta (f=20; χ²=187,4), salas (f=7; χ²=116,2), sala (f=8; χ²=114,1), propondo (f=9; χ²=109,4), rodada (f=6; χ²=101,0)
S1321/07 · planejamentopmo (f=15; χ²=145,0), instanciação (f=14; χ²=100,5), inovação (f=72; χ²=80,3), diretriz (f=7; χ²=73,1), assuming (f=7; χ²=73,1)

Leitura: as especificidades acompanham a pauta de cada sessão (S07: usuário, absenteísmo, retenção; S10: léxico da sessão acadêmica). Seguindo Reinert (1990), tratam-se de associações lexicais, não de juízos de conteúdo; a interpretação avaliativa é feita na Camada 2.

3.4 Análise de similitude

Figura 4 — Grafo de similitude: árvore de recobrimento máximo sobre coocorrências em janela deslizante de 10 formas ativas, mais as 20 arestas fortes adicionais. Nós: 60 formas mais frequentes; arestas rotuladas pela contagem de coocorrência. [reprodução conceitual] — formato à la IRaMuTeQ; as coocorrências subjacentes são contagens reais em janela, calculadas por script (parâmetros em lexical.json).
Descrição textual alternativa

O par mais forte é canvas–challenge (165 coocorrências), seguido de ideias–programa (99), inovação–programa (90), grupo–grupos (82), grupo–org (80) e comitê–inovação (79). O grafo organiza-se em torno de três polos: um polo do artefato (canvas, challenge, nota, preencher), um polo do programa de inovação (inovação, programa, ideias, comitê, desafios) e um polo técnico (cloud, design, code, dados).

3.5 Classificação hierárquica descendente (método Reinert)

Seguindo a abordagem lexicográfica de Reinert (1990) operacionalizada no IRaMuTeQ (Camargo & Justo, 2013), aplicou-se bisseção divisiva sobre a matriz binária UCE × forma (formas com f≥12 presentes em ≥3 sessões), dividindo sempre a maior classe pelo primeiro eixo de correspondência, até cinco classes estáveis. 89,4% das UCEs foram classificadas.

Figura 5 — Dendrograma da CHD (5 classes; 89,4% das UCEs classificadas). [reprodução conceitual] — o procedimento reproduz a lógica do método Reinert por script próprio, não a implementação do IRaMuTeQ; os tamanhos de classe e o léxico característico são calculados dos dados.
Descrição textual alternativa

Primeira partição separa a Classe 1 (prototipagem técnica assistida por IA, 29,9%) de todo o resto; a segunda partição separa o bloco de gestão (Classes 2 e 3) do bloco operacional-relacional (Classes 4 e 5).

Tabela 3 — Classes lexicais da CHD: tamanho, léxico característico e sessões de concentração dados reais (script)
ClasseUCEs (%)Léxico característico (χ²)Sessões de maior concentração
Classe 1 — Prototipagem técnica assistida por IA1141 (29,9%)cloud (χ²=290,5), design (χ²=172,0), code (χ²=155,0), base (χ²=125,6), código (χ²=97,7), generar (χ²=87,6), dólares (χ²=75,7), utilizar (χ²=75,7)S07 (232), S08 (184), S06 (109)
Classe 2 — Definição de problemas e soluções761 (19,9%)processo (χ²=79,2), perspectiva (χ²=52,8), cooperado (χ²=46,3), problemas (χ²=44,9), esforço (χ²=42,7), possam (χ²=41,6), principalmente (χ²=41,3), soluções (χ²=38,9)S05 (205), S06 (198), S01 (102)
Classe 3 — Governança do programa de inovação671 (17,6%)inovação (χ²=240,8), comitê (χ²=177,6), política (χ²=122,0), projetos (χ²=97,6), estatuto (χ²=74,9), desafios (χ²=74,6), ideias (χ²=57,1), processos (χ²=55,0)S05 (182), S06 (181), S07 (123)
Classe 4 — Coordenação operacional e artefatos663 (17,4%)reunião (χ²=141,8), mandar (χ²=114,8), daqui (χ²=75,9), canvas (χ²=74,3), mandando (χ²=60,5), mandou (χ²=59,8), dúvidas (χ²=57,2), miro (χ²=56,6)S07 (140), S05 (105), S13 (91)
Classe 5 — Registro cotidiano e relacional580 (15,2%)dia (χ²=183,0), pessoal (χ²=117,9), pessoa (χ²=98,7), hora (χ²=65,5), legal (χ²=65,4), deus (χ²=58,0), participar (χ²=49,6), casa (χ²=45,3)S07 (131), S05 (119), S13 (63)

A distribuição das classes pelas sessões mostra o deslocamento temático do programa: a Classe 1 (léxico técnico: cloud, design, code, código, prompt, dólares) concentra-se em S07–S09, quando a discussão migra da definição de problemas para a construção de protótipos e seus custos. A Classe 2 carrega o vocabulário nuclear do artefato (problema, resolver, soluções, campo) e domina S05–S06. A Classe 3 (comitê, política, estatuto, regulamento) corresponde ao trabalho de governança do programa de inovação.

Figura 6 — Distribuição das classes da CHD por sessão (percentual das UCEs classificadas de cada sessão). dados reais (script) [reprodução conceitual]
Descrição textual alternativa

S08 e S09 são dominadas pela Classe 1 (técnica); S05 e S06 repartem-se entre Classes 2 e 3; S01, S02 e S12 têm presença maior das Classes 2 e 5; S03, S04 e S13 mostram mistura com peso da Classe 4 (coordenação).

3.6 Análise fatorial de correspondência

Figura 7 — AFC do cruzamento classe × forma: dois primeiros eixos (40,9% e 28,6% da inércia). [reprodução conceitual] — decomposição por SVD de correspondência em script próprio, não a AFC do IRaMuTeQ.
Descrição textual alternativa

O eixo 1 (40,9% da inércia) opõe o léxico técnico da Classe 1 (código, prompt, dólares) ao léxico de gestão das Classes 3 e 4; o eixo 2 (28,6%) separa o registro cotidiano da Classe 5 do registro programático da Classe 3.

4. Camada 2 — Codificação (à la ATLAS.ti / MAXQDA / NVivo)

Na tradição de Mayring (2014), o esquema combinou aplicação dedutiva (20 códigos derivados do quadro FEDS/Peffers/Gregor–Hevner/Prat e do padrão de evidência da Technovation) e formação indutiva iterativa (7 códigos propostos por cinco codificações paralelas e consolidados com log de decisão). Todos os 27 códigos tiveram ocorrência no corpus; a média é de 1,9 códigos por segmento (570 atribuições em 300 segmentos; 168 segmentos com foco direto no artefato e 132 com foco no programa).

4.1 Os 27 códigos

Clique em cada código para definição resumida e excerto-âncora (rastreável por segmento_id). Definições completas, regras de inclusão/exclusão e fronteiras: analysis/codebook_v2.md.

B1-CONTEXTO 68 seg. Contexto organizacional em que o problema de inovação surge.

Âncora: S07-23 · “O projeto de on-boarding... Tanto que o nome dele é primeiro dia de obra. Quem desenvolveu foi as meninas do marketing... é o colaborador, ele chega n…”

AVAL-NAT 44 seg. Uso por usuários reais, em problema real, na rotina organizacional (Eval 4).

Âncora: S01-19 · “Já passou, no teste com a ORG08. Ontem eles apresentaram os desafios da ORG08, lá. Ficou bem legal, sabe? O que eles trouxeram foi específico, né? Par…”

B3-USO-REAL 42 seg. Uso do artefato em situação real de trabalho.

Âncora: S01-19 · “Já passou, no teste com a ORG08. Ontem eles apresentaram os desafios da ORG08, lá. Ficou bem legal, sabe? O que eles trouxeram foi específico, né? Par…”

ADOC-INST 33 seg. Incorporação do canvas a rotinas, normas ou decisões da organização.

Âncora: S01-29 · “e óbvio, utilizar a ferramenta que a P08 colocou, até pra assistir, estudar e falar. [...] Em conjunto, vocês se reúnem e vão usando a ferramenta ali …”

BARR-LIM 27 seg. Obstáculos ao uso e limites do canvas (tempo, cultura, custos, contexto).

Âncora: S02-10 · “A falta de atenção no sistema de comportamento, a internet não serve, então é muito difícil de trabalhar.…”

AVAL-EXANTE 26 seg. Validação da relevância do problema ou do design antes do uso (Eval 1–2).

Âncora: S01-06 · “As empresas não falam por falta de ideias. Elas não falam por falta de ideias, mas porque estão resolvendo um problema errado ou já vão para uma execu…”

B4-RESULTADO 26 seg. Saídas identificáveis: decisão, reformulação, alinhamento, entregável.

Âncora: S01-28 · “A ORG08 é uma cooperativa de médicos. [...] Ele tem um desafio, ele quer reduzir em pelo menos 50% os reembolsos de consultas. [...] Eles fizeram isso…”

CAPAC-TRANS 26 seg. Capacitação e transferência do conhecimento metodológico à organização.

Âncora: S01-23 · “A gente inaugura aqui um exemplo, Claro de um protótipo criado no Loveable e eu fiz questão de fazer no Loveable, entendeu? Inclusive, para mostrar pa…”

B7-MECANISMO 25 seg. Indícios de por que o artefato produz efeito (mecanismo cognitivo/social).

Âncora: S01-09 · “A gente começa a criar uma linguagem comum entre o que nós nos propomos a fazer. Entendeu? O desafio fica organizado entre todos os atores do Open Inn…”

DP-USO 24 seg. Princípio de design manifestando-se em operação (Gregor & Hevner, nível 2).

Âncora: S01-15 · “Vamos melhorar esse negócio aqui? Estou pedindo para ele aqui melhorar. Mas eu tenho que dar um combustívelzinho aqui para ele. [...] Veja que eu semp…”

UTIL-PERC 22 seg. Atribuição (ou negação) de valor/benefício do canvas para o trabalho.

Âncora: S01-25 · “isso antecipa um grande trabalho. [...] essas ferramentas, essa metodologia que vocês vão trabalhar ao longo desse mês. Vai permitir que vocês vejam m…”

ENCAD-METOD 21 seg. Canvas como elo inicial de cadeia metodológica (TAP, PRD, briefing, spec).

Âncora: S01-31 · “Nós vamos usar esse aqui, o Challenge Canvas [...] mas nós vamos usar o da construção do propósito de valor, que vocês já conhecem. [...] No Lean Canv…”

AVAL-ESTRAT 20 seg. Deliberação sobre como avaliar o artefato (métodos, amostra, telemetria).

Âncora: S04-02 · “eu tenho o Analytics do Challenge Canvas. Então eu vou usar os dados do Analytics. Você não necessariamente tem que fazer validação por entrevista, en…”

B8-GENERALIZA 19 seg. Aplicabilidade a outros contextos e condições de contorno.

Âncora: S01-19 · “Já passou, no teste com a ORG08. Ontem eles apresentaram os desafios da ORG08, lá. Ficou bem legal, sabe? O que eles trouxeram foi específico, né? Par…”

EFIC-DEFPROB 17 seg. Efeito específico sobre a qualidade da definição de problemas.

Âncora: S02-15 · “Eu entendo que esta é uma solução. Ela não soluciona, ela é um desafio que mira para um aprimoramento ou um desenvolvimento de um novo bote.…”

POSIC-TEOR 17 seg. Posicionamento na literatura e planejamento da comunicação científica.

Âncora: S01-12 · “Não inventei, só juntei as coisas. Do Tim Brown, que é o que fala sobre Design Think. Do Chesbrooke, que é o que fala sobre inovação aberta. [...] Que…”

GOV-IA 17 seg. Governança, risco e custo do uso de IA como condição de contorno.

Âncora: S01-33 · “aqui dentro da construção dos desafios, nós também não queremos construir algo que a gente chama de TI das sombras, ou manhã das sombras. Algo que não…”

DEMO-ART 16 seg. Operação demonstrativa/didática com problema fictício (quadrante artificial).

Âncora: S01-13 · “ele já vai te dar uma avaliação do desafio. Sabe o processo de iteração? Você pode melhorar o negócio? Ele já te dá uma variação. Esse aqui está com u…”

USAB-ART 12 seg. Facilidade/dificuldade de entender, aprender e operar o canvas.

Âncora: S01-20 · “Depois daquele finalzinho lá, que é o infográfico. [...] Uma saída seria, de repente eu mudar um dos campos lá e fazer gerar ele novo. Ele muda.…”

B2-DEMANDA 12 seg. Dor ou pedido explícito por apoio à definição de problemas.

Âncora: S01-06 · “As empresas não falam por falta de ideias. Elas não falam por falta de ideias, mas porque estão resolvendo um problema errado ou já vão para uma execu…”

SCORE-IA 11 seg. Apropriação normativa do escore de IA como padrão, meta ou competição.

Âncora: S01-30 · “a ferramenta que vai ajudar vocês a fazer isso é o Challenge Canvas Builder. [...] a expectativa é que vocês tragam o PDF e apresentem o infográfico q…”

AVAL-SOM 9 seg. Juízo conclusivo sobre o valor do canvas frente aos seus objetivos (FEDS somativo).

Âncora: S05-10 · “o Challenge Canvas. Eu acho que ele já saiu da modalidade protótipo, tornando-se um produto mínimo viável. Por quê? Porque ele não está dando erro, nã…”

REFIN-ITER 9 seg. Elo documentado entre feedback recebido e mudança efetiva no artefato.

Âncora: S05-30 · “o Challenge Canvas é um... Eu desenvolvi aqui dentro [...] criou o MVP do produto. Aí criou uma MVP, aí eu comecei a interagir aqui e pedir melhorias …”

AVAL-FORM 8 seg. Feedback para melhorar o canvas durante o desenvolvimento (FEDS formativo).

Âncora: S01-20 · “Depois daquele finalzinho lá, que é o infográfico. [...] Uma saída seria, de repente eu mudar um dos campos lá e fazer gerar ele novo. Ele muda.…”

B5-CONTRASTE 8 seg. Comparação explícita com práticas anteriores de definição de problemas.

Âncora: S05-06 · “não sei se é porque a gente não está acostumado com essa metodologia, porque ela tem algumas coisas que é um pouco diferente daquele Canvas tradiciona…”

B6-APRENDIZADO-MOD 7 seg. Aprendizado que gerou ou justifica modificação no artefato.

Âncora: S01-21 · “Ele não gera em formato vetorial, que a gente chama, que poderia permitir edição. [...] se eu, sei lá, quiser mudar alguma coisinha ali e tal, dá um p…”

STAKE-MULT 4 seg. Avaliação a partir de posição organizacional distinta (nunca isolado).

Âncora: S02-09 · “Nós estamos em uma empresa mais grande do Paraguai, que tem muitos clientes. Estamos entre as 10 empresas que mais clientes de crédito manejam no Para…”

4.2 Frequências e heatmap código × sessão

Figura 8 — Frequência dos 27 códigos (n de segmentos), cores por categoria axial. dados reais (CSV de codificação) Fonte: coded_all_final.csv, 300 segmentos.
Descrição textual alternativa

B1-CONTEXTO lidera com 68, seguido de AVAL-NAT 44, B3-USO-REAL 42, ADOC-INST 33, BARR-LIM 27, AVAL-EXANTE 26, B4-RESULTADO 26, CAPAC-TRANS 26, B7-MECANISMO 25, DP-USO 24; os menos frequentes são STAKE-MULT 4, B6-APRENDIZADO-MOD 7, AVAL-FORM 8, B5-CONTRASTE 8, AVAL-SOM 9 e REFIN-ITER 9.

Figura 9 — Heatmap código × sessão (n de segmentos por célula). dados reais (CSV de codificação) Padrões: AVAL-EXANTE e DEMO-ART concentram-se em S01 (9 e 5); AVAL-NAT e B3-USO-REAL espalham-se de S02 a S13 com picos em S05 e S07; GOV-IA tem picos em S07 (6) e S13 (3); POSIC-TEOR tem sua maior concentração em S10 (6 de 17).
Descrição textual alternativa

Células de maior valor: B1-CONTEXTO em S06 (10), S01, S07 e S09 (7 cada); AVAL-EXANTE em S01 (9); AVAL-NAT em S05 (14) e S07 (13); BARR-LIM com picos em S07 (9) e S13 (7); CAPAC-TRANS distribuído por S05 (5), S02 (4), S01 e S06 (3 cada); POSIC-TEOR com 6 segmentos em S10 e 4 em S13.

4.3 Coocorrências de códigos (Sankey)

Figura 10 — Vinte pares de códigos com maior coocorrência no mesmo segmento (largura = n de segmentos compartilhados). dados reais (CSV de codificação) A coocorrência AVAL-NAT × B3-USO-REAL (23) é esperada por definição (o mesmo fenômeno visto pelos dois codebooks); as demais são informativas: ADOC-INST × ENCAD-METOD (9) liga institucionalização a encadeamento metodológico, e AVAL-EXANTE × B7-MECANISMO (7) mostra que a validação ex ante veio acompanhada de explicação de mecanismo.
Descrição textual alternativa

Pares principais: AVAL-NAT–B3-USO-REAL 23; AVAL-NAT–B4-RESULTADO 11; ADOC-INST–ENCAD-METOD 9; AVAL-NAT–EFIC-DEFPROB 8; AVAL-EXANTE–B7-MECANISMO 7; B3-USO-REAL–B4-RESULTADO 7; ADOC-INST–AVAL-NAT 7; AVAL-NAT–ENCAD-METOD 7; AVAL-EXANTE–B2-DEMANDA 6; B4-RESULTADO–EFIC-DEFPROB 6.

4.4 Mapa conceitual das categorias axiais

Na codificação axial (Strauss & Corbin, 1998), os 27 códigos agrupam-se em seis categorias relacionadas ao fenômeno central, aqui denominado validação em uso do artefato de definição de problemas. A categoria "Condições de contorno" atua como condição interveniente; "Avaliação DSR" descreve os episódios; "Valor e eficácia" e "Uso e institucionalização" são consequências encadeadas; "Aprendizagem e refinamento" é a estratégia de resposta ao feedback; "Comunicação científica" é a projeção do fenômeno para fora do campo.

Figura 11 — Mapa conceitual das categorias axiais e seus códigos (elaboração analítica própria sobre o codebook v2; relações declaradas no parágrafo acima). Tamanho do nó do código proporcional à frequência real. estrutura analítica + frequências reais
Descrição textual alternativa

Nó central "Validação em uso" conectado a seis categorias: Avaliação DSR (episódios) com 123 atribuições; Valor e eficácia percebidos com 110; Uso, adoção e institucionalização com 131; Aprendizagem e refinamento com 42; Condições de contorno com 147; Comunicação científica com 17.

4.5 Linha do tempo das três ondas de avaliação

A narrativa de evidência (evidence_matrix.md) organiza os 13 episódios em três ondas build–evaluate–learn. A Figura 12 mostra o volume de segmentos por sessão com o foco (artefato direto vs. programa) e as ondas; a Figura 13 compara, entre ondas, a taxa por 100 segmentos dos códigos que marcam a progressão formativo → somativo.

Figura 12 — Segmentos codificados por sessão (empilhado: foco direto no artefato vs. foco no programa), com as três ondas: Onda 1 (S01–S02, introdução e validação ex ante), Onda 2 (S03–S07, uso disseminado e primeiros juízos somativos), Onda 3 (S08–S13, institucionalização, encadeamento e transferência; S10 transversal de comunicação científica). dados reais (CSV de codificação)
Descrição textual alternativa

Segmentos por sessão: S01, 36; S02, 26; S03, 11; S04, 13; S05, 37; S06, 28; S07, 55 (maior sessão); S08, 16; S09, 20; S10, 6; S11, 5; S12, 12; S13, 35. Nas sessões de projeto o foco direto no artefato varia entre um terço e dois terços dos segmentos.

Figura 13 — Progressão entre ondas: taxa por 100 segmentos de códigos selecionados. dados reais (CSV de codificação) AVAL-EXANTE e DEMO-ART caem da Onda 1 para as seguintes (com leve retomada na Onda 3 pelas demonstrações de S11 e S12); AVAL-NAT tem pico na Onda 2 (22,9/100), quando o uso real se dissemina; ADOC-INST dobra da Onda 1 para a 2 e se mantém; BARR-LIM cresce de forma contínua (3,2 → 10,4 → 11,4); AVAL-SOM permanece raro (máximo 4,2/100 na Onda 2), o que documenta a transição somativa apenas parcial.
Descrição textual alternativa

Taxas por 100 segmentos (Onda 1 → Onda 2 → Onda 3): AVAL-EXANTE 19,4 → 4,2 → 8,0; DEMO-ART 9,7 → 2,8 → 6,8; AVAL-NAT 8,1 → 22,9 → 6,8; AVAL-SOM 0,0 → 4,2 → 3,4; ADOC-INST 6,5 → 12,5 → 12,5; ENCAD-METOD 3,2 → 8,3 → 8,0; CAPAC-TRANS 11,3 → 7,6 → 9,1; BARR-LIM 3,2 → 10,4 → 11,4. A queda de AVAL-NAT na Onda 3 reflete a pauta técnica das sessões S08–S09 (prototipagem) e o caráter de balanço de S13, não interrupção do uso.

5. Confiabilidade da codificação (IRR e adjudicação)

Seguindo a exigência de replicabilidade de Krippendorff (2018), 59 segmentos (~20% do corpus, amostra estratificada por sessão) foram recodificados por segundo codificador independente, cego aos códigos do primeiro, a partir do excerto e dos metadados, com consulta facultativa ao corpus. O esquema é multirrótulo (27 códigos; média ~2 por segmento no padrão-ouro).

Tabela 4 — Métricas do exercício intercodificador dados reais (irr_report.md)
MétricaValorInterpretação
Acordo observado (código × segmento)0,947Alto, mas inflado pela esparsidade: 1.593 decisões binárias dominadas por ausências concordantes.
Kappa agrupado (pooled)0,557"Moderate" na escala de Landis e Koch (1977), concebida para rótulo único; em multirrótulo com códigos raros o kappa é deprimido pelo paradoxo da prevalência.
Kappa macro (códigos com prevalência ≥3)0,537Próximo do agrupado: o acordo não está concentrado em poucos códigos frequentes.
Jaccard médio por segmento0,508Metade do conjunto de rótulos compartilhada em média; divergência típica é de conjunto, não de leitura oposta.
Segmentos com alguma divergência43/59 (72,9%)Maioria de divergências parciais (interseção não vazia).
Figura 14 — Adjudicação das 43 divergências (protocolo de mediação com regra explícita: prevalece o contexto se memo/corpus o sustentar). dados reais (irr_report.md)
Descrição textual alternativa

Codificador 1 (inferência contextual mantida): 24 casos (55,8%); codificador 2 (leitura estrita prevaleceu): 9 (20,9%); misto: 10 (23,3%).

O que as divergências ensinam

Os quatro códigos com kappa 0 (B4-RESULTADO, B5-CONTRASTE, B7-MECANISMO, AVAL-SOM) são exatamente os que exigem inferência de elo ou de balanço, indecidível pelo excerto de 60 palavras: na adjudicação, as atribuições contextuais do codificador 1 nesses códigos foram mantidas em quase totalidade (B7 7/7, B4 3/3, AVAL-SOM 2/2). O codificador 2 contribuiu podando sobrecodificação (intenção lida como adoção, planejamento lido como feedback) e adicionando B3/AVAL-NAT subaplicados. Duas notas de decisão foram incorporadas ao codebook (fronteiras B4×EFIC-DEFPROB e AVAL-SOM×UTIL-PERC). O desenho tem limites declarados: segmentação fixada pelo codificador 1 (acordo de rotulagem, não de unitização), adjudicação pelo consolidador do próprio codebook e um único segundo codificador; ver seção 8.

6. Camada 3 — Análise discursiva crítica

As três tradições abaixo têm objetos distintos: a linha francesa pergunta de que posição e sob que memória discursiva se fala; a linha anglo-saxã pergunta como a gramática do texto realiza relações de poder; a linha foucaultiana pergunta que enunciados se tornam dizíveis e verdadeiros. Cada inferência declara sua tradição. Os excertos citados são literais e rastreáveis por segmento_id.

6.1 Linha francesa (Pêcheux/Orlandi): formações discursivas e posições-sujeito

AD francesa Quatro formações discursivas (FDs) organizam o dizível no corpus:

  • FD pedagógico-experimental — o programa como experimento e aula: “Nosso experimento, nós vamos trabalhar com um conceito [...] eu vou colocando, vou traduzindo isso lá do académico para vocês” (S01-01). A posição-sujeito é a do professor-tradutor, autorizada pelo interdiscurso acadêmico (DSR, “artigo”, “periódico”). O marcador conversacional “entendeu”, com 496 ocorrências no corpus, materializa esse contrato didático de verificação contínua da compreensão.
  • FD gerencial-de-resultado — a memória discursiva do management (eficiência, escala, entregável): “projetos inovadores que possam ser aplicados [...] que possa ter uma escalada” (S01-03); “soluções testadas, escaláveis” (S01-04). Nela, o canvas só significa se produz decisão, TAP, priorização.
  • FD técnico-operacional — léxico da Classe 1 da CHD (código, prompt, deploy, dólares): o artefato é ressignificado como sistema que falha, custa e precisa de manutenção (S07-43/44).
  • FD normativo-de-governança — “no tenemos todavía la gobernanza de IA instaurada” (S09-01): o dizível desloca-se do uso para a permissão de usar; comitês, políticas e riscos tornam-se condição do discurso sobre o artefato.

AD francesa Paráfrase e polissemia. A fórmula “problema antes da solução” funciona como processo parafrástico que estabiliza o sentido do artefato através das sessões: “não estamos criando nada, nós só estamos tentando caracterizar melhor o problema” (S12-07) retoma “Qual é o problema? Qual é a dor?” (S01-06). O termo desafio, ao contrário, é lugar de polissemia produtiva: desliza entre desafio-tarefa do programa, desafio-documento (o canvas preenchido) e desafio-formalização burocrática (S07-12), e é nesse deslizamento que a evidência negativa se enuncia. Não é possível afirmar com os dados disponíveis que esse deslizamento ocorra nas organizações fora das sessões gravadas.

AD francesa Condições de produção. Os seminários são sessões contratadas, gravadas, conduzidas pelo pesquisador que é também autor do artefato: as posições-sujeito disponíveis aos participantes (aluno, cliente, avaliado) favorecem o elogio e o pedido de ajuda sobre a crítica frontal; as críticas mais duras emergem justamente de quem ocupa posição técnica própria (P29, TI: S07-12, S07-29) ou em sessões com menor presença do designer.

Figura 15 — Rede das formações discursivas (elaboração analítica própria; arestas indicam relação declarada no texto: aliança, tensão ou condição). estrutura analítica
Descrição textual alternativa

FD pedagógico-experimental alia-se à gerencial-de-resultado (o experimento promete resultado) e tensiona-se com ela (tempo de aprender vs. tempo de entregar); a FD técnico-operacional condiciona ambas (sem infraestrutura não há artefato); a FD normativo-de-governança condiciona a técnico-operacional (sem política de IA não há uso autorizado).

6.2 Linha anglo-saxã crítica (Fairclough): texto, prática discursiva, prática social

ACD No plano do texto, a matriz de transitividade e modalidade (Halliday & Matthiessen, 2014) dos excertos-chave mostra um padrão: os enunciados que fundam a necessidade do artefato são categóricos e de ator genérico; os que relatam risco ou obrigação distribuem modalidade de forma reveladora da hierarquia.

Tabela 5 — Matriz de transitividade e modalidade de excertos-chave (análise textual da ACD) excertos reais; classificação analítica própria
SegmentoExcertoProcessos dominantesModalidadeLeitura crítica (Fairclough)
S01-06 (P01, facilitador)“As empresas não falam [falham] por falta de ideias, mas porque estão resolvendo um problema errado ou já vão para uma execução prematura.”Materiais (resolver, ir para execução) e relacional negado (não é por falta de ideias)Epistêmica categórica (asserção sem atenuação)Ator genérico “as empresas” universaliza a falha e legitima ex ante a necessidade do artefato; a ausência de modalização constrói a dor como fato, não como hipótese.
S06-21 (P09, gestor)“Eu utilizei como referência o feedback que o senhor me deu [...] acima de 90 ele já estava no patamar aceitável.”Material (utilizei), verbais (perguntei, me deu o feedback) e relacional (estava no patamar aceitável)Deôntica delegada: o limiar vem da autoridade do “senhor”O gestor converte um juízo do designer em regra organizacional; a cadeia verbal explicita a origem hierárquica da norma do escore.
S07-12 (P29, TI/inovação)“o desafio [...] está entrando como uma formalização e não como ferramenta.”Relacional-atributivo com nominalização (formalização)Epistêmica assertivaA nominalização apaga o agente que captura o canvas; a crítica é dirigida ao processo, preservando as faces dos colegas — padrão típico de crítica interna atenuada.
S09-01 (participante, ES)“no tenemos todavía la gobernanza de IA instaurada [...] nos podría llegar a generar algún tipo de riesgo de exposición.”Relacional-possessivo negado (no tenemos) e material modalizado (podría generar)Epistêmica atenuada (podría, algún tipo de)O risco é enunciado no condicional e com quantificação vaga: reconhecimento da lacuna sem imputação de responsabilidade individual.
S13-13 (P08, consultor-pesquisador)“vocês contrataram para haver um repasse de conhecimento, e esse conhecimento é obrigação de vocês absorverem [...] dar continuidade com as próprias pernas.”Material (contrataram, absorver, dar continuidade) e relacional (é obrigação)Deôntica explícita (obrigação)A relação contratual é mobilizada como fundamento da obrigação de aprender; a metáfora corporal cotidiana transfere a agência ao cliente.
S13-12 (P08, consultor-pesquisador)“O que nós temos até então é um ponto de partida [...] uma hipótese ali para resolver o problema, que a gente não sabe se é a melhor.”Relacionais (temos, é) e mental negado (não sabe)Epistêmica atenuada (hipótese, não sabe se é a melhor)No balanço final, o mesmo enunciador que produz os juízos somativos mais fortes rebaixa a modalidade: autolimitação que sustenta a credibilidade do claim científico.
Figura 16 — Densidade de marcadores de modalidade deôntica (tem que, precisa, deve, hay que...) e epistêmica (acho que, talvez, pode ser, creo que...) por mil palavras, por sessão. dados reais (script; lista de marcadores em compute_lexical.py) Contagem de superfície: serve de indício, não de medida exaustiva de modalidade.
Descrição textual alternativa

A densidade deôntica é maior nas sessões de trabalho conduzido (S02: 7,9/mil; S03: 7,8; S05: 6,2; S04: 6,2) e menor nas demonstrações e sessões técnicas (S11: 2,3; S08: 2,8; S12: 3,0). A densidade epistêmica tem pico em S05 (14,8/mil), sessão de planejamento com muitas hipóteses.

ACD No plano da prática discursiva, o corpus é atravessado por intertextualidade constitutiva: o gênero reunião gerencial incorpora o gênero aula (tradução do “académico”), o gênero demo de software (“Olha lá. Fraco, né? [...] esse é o processo de iteração”, S01-16) e o gênero contrato (“vocês contrataram para haver um repasse de conhecimento”, S13-13). No plano da prática social, essa hibridização realiza uma relação de poder produtiva e assimétrica: o pesquisador-consultor detém o capital metodológico e de IA, os gestores detêm o mandato do resultado; a fórmula “quebra esses vieses” (S07-29) mostra o método sendo mobilizado pelos próprios participantes como recurso de legitimação interna frente a colegas (van Dijk, 2008, sobre acesso ao discurso; Wodak & Meyer, 2001).

6.3 Linha foucaultiana: enunciados, regime de verdade, ordem do discurso

Foucault Dois enunciados, no sentido foucaultiano de unidades raras que criam o dizível, estruturam o arquivo do programa. O primeiro: “as empresas falham porque resolvem o problema errado” (S01-06 e suas retomadas). Ele institui a definição de problemas como objeto de saber e o canvas como sua tecnologia. O segundo: “a nota diz a qualidade do problema”. Em torno do escore do Builder forma-se um regime de verdade local: o limiar “acima de 90” vira regra interna (S06-21), a nota ordena rodadas competitivas (95/91/86, S02-13) e habilita ou suspende a fala sobre a qualidade do desafio. O episódio do canvas com 93% descartado por mérito (S05-25/26) mostra o regime de verdade sendo contestado por outro tribunal, o do juízo estratégico humano; a coexistência dos dois tribunais é constitutiva do artefato, não um defeito acidental.

Foucault Na ordem do discurso (Foucault, 1996), operam procedimentos de rarefação claros: quem pode enunciar o método é o professor (interdição de fato: 46,3% dos segmentos codificados têm o facilitador-pesquisador como falante); a vontade de verdade se apoia na cientificidade (DSR, kernel theories, PRISMA, periódico-alvo, S10) para separar o canvas de “achismo”; e a disciplina do programa (comitês, gates, política de IA formalizada em S13-16) define as posições de quem fala com autoridade sobre inovação. A projeção do Eval 4 somativo para “piloto em ambiente controlado” (S13-35) é, nessa leitura, o deslocamento do artefato para um novo dispositivo de veridicção, o experimento.

7. Síntese integradora

As camadas convergem sem se fundir. A CHD identificou a classe técnica (Classe 1, 29,9% das UCEs, concentrada em S07–S09) como a maior do corpus, o que ressoa, na Camada 2, com o crescimento de ENCAD-METOD (3,2 → 8,3 → 8,0 por 100 segmentos entre as três ondas), o crescimento contínuo de BARR-LIM (3,2 → 10,4 → 11,4) e os picos de GOV-IA em S07 e S13: quando o artefato entra em uso real encadeado, o discurso desloca-se do enquadramento do problema para a operação e o custo da camada de IA. Na leitura de Pêcheux, porém, esses mesmos enunciados filiam-se à FD técnico-operacional e à FD normativo-de-governança, evidenciando que o que a análise de conteúdo classifica como condição de contorno é também uma disputa sobre quem autoriza o uso da IA na organização.

O escore do Builder é o ponto onde as três camadas mais se iluminam mutuamente. A Camada 2 o registra como SCORE-IA (11 segmentos) coocorrendo com uso real e adoção; a Camada 1 mostra o par canvas–challenge como a aresta mais forte da similitude (165 coocorrências) e o vocabulário de nota/preencher agregado ao polo do artefato; a Camada 3, sem contradizer as anteriores, lê o mesmo material como regime de verdade local com tribunal concorrente (o juízo estratégico que descartou o canvas de 93%). Para o artigo, isso sustenta o DP2 e sua condição de contorno na mesma evidência.

Divergência instrutiva: a Camada 2 registra AVAL-SOM raro (n=9) e o balanço final honesto (“um ponto de partida [...] uma hipótese”, S13-12), enquanto a Camada 3 mostra que os juízos somativos existentes são enunciados quase exclusivamente da posição-sujeito do designer (S05-10, S06-13, S13-25), com modalidade rebaixada justamente nos balanços finais. A leitura integrada recomenda reportar a transição formativo→somativo como parcial e dependente de posição enunciativa, exatamente como a matriz de evidências a descreve.

8. Limitações e ceticismo epistemológico

Cinco limitações metodológicas

  1. Camada lexicográfica sem software dedicado. CHD, similitude e AFC foram reproduzidas por script próprio; os coeficientes (89,4% de UCEs classificadas; inércias de 40,9% e 28,6%) são estimativas reprodutíveis, mas não idênticas às que o IRaMuTeQ produziria (lematização, dicionários e critérios de parada diferem). Recomenda-se executar o IRaMuTeQ real antes da submissão e confrontar as classes.
  2. Transcrição automática ruidosa e bilíngue. O corpus contém mishearings sistemáticos (seção 9), especialmente nas sessões em espanhol (S08), o que rebaixa a precisão de frequências e coocorrências no subcorpus ES; formas corrompidas foram excluídas por lista, procedimento que pode ter removido material válido.
  3. IRR de desenho limitado. Um único segundo codificador, amostra única de 20%, segmentação fixada pelo codificador 1 (o acordo de unitização não foi medido) e adjudicação pelo consolidador do próprio codebook; B5-CONTRASTE permaneceu sem verificação efetiva (prevalência baixa na amostra).
  4. Cobertura desigual do corpus. As sessões diferem em duração (7 a 239 minutos) e função; episódios de uso referidos, mas não gravados (ex.: feedback de 05/05 citado em S06-21), ficam fora do corpus. A contagem total de sessões de uso não pode ser afirmada com os dados disponíveis.
  5. Atribuição causal restrita. O canvas opera dentro de um método maior (44% dos segmentos têm foco no programa); não há grupo de comparação nem medida de longo prazo (o corpus termina em 21/07/2026 com projetos em curso). Resultados organizacionais não podem ser atribuídos exclusivamente ao artefato com os dados disponíveis.

Três fontes de viés interpretativo

  1. Posição do pesquisador-facilitador (ver nota reflexiva abaixo): os juízos somativos mais fortes são do designer, e o limiar do escore foi definido por ele.
  2. Contexto contratual de produção da fala: os participantes são clientes e alunos do programa; autosseleção e desejabilidade social favorecem avaliações positivas nas sessões gravadas.
  3. Recorte temporal de cinco meses, que captura adoção inicial e institucionalização precoce, não sustentabilidade; a transferência “com as próprias pernas” (S13-13) é promessa contratual, ainda não observação.

Validação adicional recomendada

  • Executar IRaMuTeQ sobre o corpus normalizado e confrontar com as classes da seção 3.5.
  • Segunda rodada de IRR com janela de contexto de ±10 turnos para o segundo codificador e medição de acordo de unitização.
  • Member checking dos excertos-chave e dos seis design principles com participantes de pelo menos três organizações.
  • Extração do Analytics para dar denominador e perfil aos “mais de 150 usuários” reportados nos juízos somativos.

Nota reflexiva ao pesquisador-participante

(i) Dupla posição enunciativa. O facilitador dos seminários é também o pesquisador-autor deste relatório e o designer do artefato avaliado. A dupla (na prática, tripla) posição é mensurável no corpus: os falantes P01 e P08 respondem por 139 dos 300 segmentos codificados (46,3%), e os juízos somativos mais fortes partem dessas posições. Isso constitui fonte adicional de viés interpretativo, para além das três listadas acima, e deve ser declarada no manuscrito (Lincoln & Guba, 1985, sobre confirmabilidade; Tracy, 2020, sobre sinceridade metodológica).

(ii) Mitigações já adotadas. Gravação integral das 13 sessões com transcrição preservando ruído; codebook com regras de inclusão/exclusão e log de decisão; segundo codificador independente com adjudicação registrada caso a caso (irr_adjudication.csv); matriz de evidências com evidência negativa ativa (29 segmentos BARR-LIM) e veredictos “não pode ser afirmado com os dados disponíveis” em 7 dos 15 itens do checklist.

(iii) Protocolo aprimorado proposto. Para os episódios futuros já desenhados (piloto controlado, S13-35; experimentos com nova universidade parceira, S13-26): (a) devolução estruturada dos achados às seis organizações com registro das reações como dado (member checking formal, com compromissos quantificáveis de resposta); (b) codificação independente integral de pelo menos dois episódios novos por pesquisador externo ao projeto, antes da adjudicação; (c) audit trail público do versionamento do canvas (log numerado feedback→mudança), suprindo a lacuna do item 4 do checklist; (d) condução de pelo menos uma sessão de avaliação por facilitador que não seja o designer, para gerar contraste de posição enunciativa.

9. Glossário de variantes lexicais (transcrição automática multilíngue)

O corpus provém de transcrição automática de fala plurilíngue (PT-BR, ES, interlíngua do facilitador em sessões bilíngues). As substituições sistemáticas abaixo foram catalogadas antes da Camada 1; as formas corrompidas foram excluídas do vocabulário de análise e preservadas no corpus bruto para a Camada 3. Contagens verificadas por script.

Tabela 6 — Variantes lexicais: forma observada → forma normalizada dados reais (script)
Forma observadaForma normalizada / referenteOrigem provávelOcorrênciasTipo
cloud / Cloud Code / Cloud CorpClaude / Claude Code (assistente de IA)mishearing de STT do nome em inglês173 ocorrências de “cloud” (pico: S08, 84; S07, 24; S03, 23)termo técnico / nome próprio
LoveableLovable (plataforma low-code)mishearing de STT31 ocorrências (S01, 11; S07, 14)nome próprio
DSMDSR (Design Science Research)mishearing de sigla3 ocorrências (S01, S13)termo conceitual
GringoGRID (nome do programa)mishearing de STT2 ocorrências (S01)nome próprio
gobernanza de díagobernanza de IAmishearing ES1 ocorrência (S09)termo técnico
a guiaa IAmishearing PT1 ocorrência (S02); glosada no memo do segmento S02-08termo técnico
nombiente, nohí, nocá, trnbojnor, snondbox…ambiente, ahí, acá, trabajar, sandboxcorrupção sistemática de STT (inserção de “no”/“n”) em fala ES19 ocorrências do padrão em S08; formas excluídas da camada lexicográfica e preservadas no corpus brutoruído sistemático
planeadorplanejador (PT-BR)interlíngua PT–ES do facilitador em sessão bilíngue4 ocorrências (S02)code-switching
falam (por “falham”)falhammishearing PTglosada no memo de S01-06marcador lexical
vozes de sua cabeça / muestraexpressões híbridas PT–ES em sessão bilínguecode-switching do facilitadorS02-08code-switching

Pseudônimos com variantes de mishearing (ex.: 13 variantes para P08; “Fundación No Cabrón” para ORG03) estão documentados em mapping.csv e foram normalizados na pseudonimização, sem intervenção desta análise.

10. Referências (APA 7)

Somente obras presentes nos arquivos de teoria do projeto (codebook v2, matriz de evidências, relatório de IRR) e nas bases metodológicas da skill. Entradas sem DOI/ISBN confirmado estão sinalizadas.

Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo (L. A. Reto & A. Pinheiro, Trads.). Edições 70.

Camargo, B. V., & Justo, A. M. (2013). IRAMUTEQ: Um software gratuito para análise de dados textuais. Temas em Psicologia, 21(2), 513–518. https://doi.org/10.9788/TP2013.2-16

Fairclough, N. (2001). Discurso e mudança social (I. Magalhães, Trad.). Editora Universidade de Brasília. [verificação pendente]

Foucault, M. (1996). A ordem do discurso (L. F. A. Sampaio, Trad.). Edições Loyola.

Gregor, S., & Hevner, A. R. (2013). Positioning and presenting design science research for maximum impact. MIS Quarterly, 37(2), 337–355. https://doi.org/10.25300/MISQ/2013/37.2.01

Halliday, M. A. K., & Matthiessen, C. M. I. M. (2014). Halliday's introduction to functional grammar (4th ed.). Routledge. https://doi.org/10.4324/9780203431269

Hevner, A. R., March, S. T., Park, J., & Ram, S. (2004). Design science in information systems research. MIS Quarterly, 28(1), 75–105. https://doi.org/10.2307/25148625

Krippendorff, K. (2018). Content analysis: An introduction to its methodology (4th ed.). Sage.

Landis, J. R., & Koch, G. G. (1977). The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics, 33(1), 159–174. https://doi.org/10.2307/2529310

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