A disciplina percorre cinco decisões. A ligação entre elas está no processo Monitorar e Controlar as Finanças do PMBOK 8, que inclui gerenciar mudanças na linha de base e garantir que as entregas mantenham a viabilidade financeira ao longo do ciclo de vida (PMI, 2025, p. 62). A pergunta que atravessa as quatro noites: o projeto continua valendo o que custa?
1
EstimarAula 1 e Aula 2
2
Orçar e reservarAula 2
3
Controlar e preverAulas 2 e 3
4
Avaliar a viabilidadeAulas 3 e 4
5
Realizar benefíciosAula 4
O caso didático: Projeto Atlas
Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Os valores estão em R$ mil. O caso é fictício e foi desenhado para que o resultado de uma aula alimente a seguinte.
1
A estimativa vira orçamentoAula 2: três pontos, reservas e linha de base
2
O orçamento vira investimentoAula 3: VPL, TIR, payback e IL do business case
3
O valor agregado gera a EACAula 3: desempenho no mês 4 e previsão do custo final
4
A EAC reabre a viabilidadeAula 4: sensibilidade, valor de inflexão e Monte Carlo
5
A visão externa revisa a decisãoAula 4: classe de referência, piloto ou escopo reduzido
Como vamos trabalhar
Participação
Câmera aberta nas discussões, perguntas no chat e enquetes rápidas ao longo da aula.
Salas simultâneas
Grupos de 4 a 5 pessoas resolvem as 7 atividades em sala e postam o resultado no AVA.
Caso didático
O Projeto Atlas, fictício, percorre as quatro aulas; casos reais trazem a evidência.
Planilha
Tenha Excel ou Google Planilhas aberto a partir da Aula 2 (funções VPL e TIR).
Avaliação
Atividade Prévia e atividades em sala, conforme as regras do programa.
Uso de IA
Ético, transparente e declarado; sem dados confidenciais em ferramentas abertas.
Apresentação do professor
DG
Prof. Dr. Diocélio Dornela Goulart
Doutor em Administração pela PUC Minas. Tese sobre inovação aberta como catalisadora da transformação digital, com pesquisa-ação em uma grande rede varejista de calçados.
Professor do Core Faculty da Fundação Dom Cabral, onde leciona Inteligência Artificial Aplicada aos Negócios na educação executiva.
Pós-doutorado na UNESP: modelos preditivos e inteligência artificial aplicados à previsão de demanda e à gestão de estoques.
Consultor em transformação digital, inovação, planejamento estratégico e gestão financeira para empresas de médio porte da América Latina.
Bacharel em Ciência da Computação (FUMEC, 1992).
Pesquisa: inovação aberta, transformação digital, governança de IA e Design Science Research.
Conceitos, classificação, ciclo de vida e técnicas de estimativa
Debrief da Atividade Prévia
Atividade 1
1.1Debrief da Atividade Prévia
A noite começa pela Atividade Prévia, em que cada participante escolheu um conceito do Guia ACB e o relacionou a um caso da própria organização. Uma enquete identifica os conceitos escolhidos (Capex, Opex e reposições; fluxo de caixa comparativo; indicadores de viabilidade; sensibilidade e valor de inflexão; matriz de riscos; viés de otimismo), e dois ou três participantes relatam o caso: o que foi estimado, o que aconteceu e qual foi a causa provável do desvio ou do acerto. As causas citadas ficam anotadas para o debate sobre sobrecustos da Aula 4.
Uma pergunta orienta a conversa: a organização registra o valor estimado no momento da aprovação? Sem esse registro, não há como medir o desvio, nem como formar uma base histórica.
1.2O problema: projetos custam mais e entregam menos
O Guia ACB cita o estudo de Flyvbjerg e Bester (2021) com 2.062 projetos públicos de investimento em 104 países: em média, o custo foi 43% maior e o benefício 17% menor do que o estimado (Ministério da Economia, 2022, p. 60-61). No Brasil, Alvarenga et al. (2021) analisaram 2.178 obras de instituições federais de ensino superior entre 2004 e 2014; 61,89% não terminaram no custo previsto e 69,05% não cumpriram o prazo.
+43%custo médio acima do estimado em 2.062 projetos públicos de 104 países
−17%benefício médio abaixo do estimado nos mesmos projetos
61,89%das obras de universidades federais (2004-2014) acima do custo previsto
Esses números descrevem obras e projetos públicos. A transposição para projetos privados e de tecnologia não é automática; a Aula 4 traz a evidência sobre projetos de TI. A pergunta da disciplina, portanto, não é se haverá desvio, e sim quanto desvio a decisão consegue absorver.
1.3O domínio Finanças no PMBOK 8
A 8.ª edição do PMBOK organiza o padrão em seis princípios, sete domínios de desempenho e cinco áreas de foco, que substituem os antigos grupos de processos (PMI, 2025). Custos e viabilidade ficam no domínio Finanças, que o guia descreve como estreitamente ligado a Escopo e a Cronograma. Na 5.ª edição, base da ementa anterior, o tema era a área de conhecimento Gerenciamento dos Custos. A mudança de nome tem consequência prática: o domínio inclui financiamento, valor e retorno, e não só o custo.
6 princípios
Visão holística
Foco no valor
Qualidade em processos e entregas
Liderança responsável
Sustentabilidade
Cultura de empoderamento
7 domínios de desempenho
Governança
Escopo
Cronograma
Finanças
Partes interessadas
Recursos
Riscos
5 áreas de foco
Iniciação
Planejamento
Execução
Monitoramento e controle
Encerramento
Finanças, Escopo e Cronograma são estreitamente ligados. Fonte: elaborado com base em PMI (2025).
Os conceitos do domínio Finanças usados ao longo da disciplina são estes (PMI, 2025, p. 58-61): a definição de valor, que inclui indicadores como ROI, TIR, payback e ROA e admite valor social e ambiental; o financiamento do projeto; as restrições financeiras, como a separação entre Capex e Opex e o orçamento por trimestre em abordagens ágeis; o orçamento, que soma estimativas e reservas conforme a política da organização; a linha de base de custos, que é o orçamento aprovado e distribuído no tempo; e as reservas de contingência e gerencial.
O domínio tem quatro processos (PMI, 2025, p. 61-62):
Processo
Área de foco
O que faz
Planejar o gerenciamento financeiro
Planejamento
Define como receitas e despesas do projeto serão estimadas, orçadas, geridas, monitoradas e controladas
Estimar custos
Planejamento
Produz a aproximação do custo dos recursos
Desenvolver o orçamento
Planejamento
Agrega as estimativas e estabelece a linha de base autorizada
Monitorar e controlar as finanças
Monitoramento e controle
Acompanha a situação financeira, gerencia mudanças na linha de base e garante que as entregas mantenham a viabilidade financeira
1.4Terminologia de custos
Relatórios de projeto confundem com frequência gasto, custo e despesa. Martins (2018) distingue os termos assim:
Termo
Definição
Exemplo no Atlas
Gasto
Aquisição que gera sacrifício financeiro
Compra dos coletores de dados
Desembolso
Pagamento, que pode vir antes, durante ou depois do gasto
Pagamento dos coletores em 60 dias
Investimento
Gasto ativado pela vida útil ou por benefícios futuros
Coletores registrados no ativo
Custo
Gasto com bens e serviços usados na produção de outros bens e serviços
Depreciação dos coletores na operação do CD
Despesa
Consumo de bens e serviços para obter receitas
Comissões de venda
Perda
Consumo anormal e involuntário
Coletor quebrado em uma queda
1.5Classificação dos custos do projeto
Dois eixos organizam a classificação. O primeiro é a relação com o objeto de custo: o custo direto é identificável com o pacote de trabalho sem rateio; o indireto é compartilhado e exige um critério de rateio, que pode distorcer decisões. O segundo é a relação com o volume de trabalho: o custo fixo não varia com o volume no período; o variável acompanha a quantidade (horas, unidades, metros quadrados, docas).
Variávelacompanha o volume de trabalho
Fixonão varia com o volume no período
Diretoidentificável sem rateio
Horas da consultoria de implantação; coletores por doca; obra civil por m²concentra o risco de sobrecusto quando o escopo cresce
Licenças do WMS em pagamento único; salário do gerente dedicado
Indiretoexige critério de rateio
Energia do prédio rateada pela área ocupada pela equipe do projeto
Aluguel do escritório da TI e horas do PMO corporativo rateados
O quadrante dos custos diretos variáveis concentra o risco de sobrecusto quando o escopo cresce.
1.6Capex e Opex
O Capex (despesas de capital) adquire, amplia ou mantém ativos físicos e de tecnologia; é ativado e reconhecido no resultado ao longo da vida útil, por depreciação ou amortização. O Opex (despesas operacionais) corresponde aos custos recorrentes de operar o negócio e vai ao resultado do período. O PMBOK 8 trata a separação como restrição financeira: Capex e Opex podem ter orçamentos, aprovações e prazos de uso diferentes (PMI, 2025, p. 59-60).
A classificação depende da norma contábil e da política da empresa. Um exemplo usado na Atividade 1: o CPC 04 (R1), correlato à IAS 38, indica no item 69 que gastos com treinamento são reconhecidos como despesa quando incorridos (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, 2010). Trocar Capex por Opex, por exemplo uma licença perpétua por uma assinatura, muda o perfil do fluxo de caixa, o comitê que aprova e o indicador que o gestor persegue, mesmo quando o custo total se parece.
1.7Custo do ciclo de vida e custo total de propriedade (TCO)
O Guia ACB separa os custos de investimento em Capex de implantação e Capex de reposição, e trata o Opex como custos de operação e manutenção (Ministério da Economia, 2022, p. 74-76). O TCO soma esses componentes no horizonte de análise:
TCO = Capex de implantação + reposições + Opex na vida útil + desativação − valor residual
Capex de implantaçãoReposiçõesOpex na vida útilDesativação− Valor residual
Proporções ilustrativas. Em ativos de tecnologia com contrato de serviço, o Opex costuma pesar mais que o preço de compra.
Três cuidados práticos: definir o horizonte pela vida útil do ativo principal; ajustar o horizonte ou considerar o valor residual quando há reposições perto do fim; comparar alternativas pelo mesmo horizonte e, a partir da Aula 3, em valor presente. O PMBOK 8 dá um exemplo do trade-off entre custo do projeto e custo do produto: limitar revisões de projeto reduz o custo do projeto e pode aumentar o custo de operar o produto (PMI, 2025, p. 61).
1.8Custos relevantes para a decisão
A comparação entre alternativas usa custos e receitas incrementais, isto é, o cenário com o projeto menos o cenário sem o projeto (Ministério da Economia, 2022, p. 108; Casarotto Filho & Kopittke, 2020).
Entra na comparação
Não entra
Custos e receitas incrementais
Custos irrecuperáveis (por exemplo, os R$ 80 mil do estudo de viabilidade do Atlas, já pagos)
Custo de oportunidade de recursos próprios (o galpão que poderia ser alugado)
Rateios que não mudam com a decisão
Opex e reposições futuros
Juros do financiamento, que já estão na taxa de desconto
O custo irrecuperável ajuda a explicar por que projetos com muito dinheiro gasto tendem a continuar mesmo com previsão ruim. Essa pergunta volta no caso da Refinaria Abreu e Lima, na Aula 4.
1.9Atividade 1: mapa de custos e TCO do Projeto Atlas
Flyvbjerg (2006) propõe duas explicações para os erros sistemáticos de estimativa. A psicológica é o viés de otimismo associado à visão interna: o planejador olha os detalhes do próprio projeto e ignora a distribuição de resultados de projetos semelhantes, o que a literatura chama de falácia do planejamento. A político-econômica é a deturpação estratégica: custos subestimados e benefícios superestimados de forma deliberada para obter a aprovação. Love et al. (2016) contestam a primazia dessas explicações e defendem causas técnicas e probabilísticas, como mudanças de escopo e retrabalho. O debate volta na Aula 4.
Explicação psicológica
Viés de otimismo e visão interna: o planejador olha só os detalhes do próprio projeto.
Explicação político-econômica
Deturpação estratégica: custo subestimado e benefício superestimado para obter a aprovação.
Contraponto técnico
Mudanças de escopo, retrabalho e incerteza probabilística (Love et al., 2016).
1.12Técnicas e classes de estimativa
Técnica
Base
Quando usar
Esforço
Precisão típica
Análoga
Projeto anterior semelhante
Fase conceitual, pouca informação
Baixo
Baixa
Paramétrica
Relação estatística (R$ por unidade)
Dados históricos comparáveis
Médio
Média a alta
Bottom-up
Soma dos pacotes da EAP
Escopo detalhado
Alto
Alta
Três pontos
Otimista, mais provável e pessimista
Incerteza relevante por pacote
Médio
Explicita a incerteza
Fonte: elaborado com base em PMI (2025) e Vargas (2018b). As técnicas não se excluem: uma paramétrica feita com dados de projetos semelhantes (visão externa) pode checar a bottom-up da equipe (visão interna).
A prática recomendada 18R-97 da AACE International classifica as estimativas em cinco classes, conforme o grau de definição do projeto (AACE International, 2020). As faixas abaixo foram conferidas em duas reproduções do documento (City of San José, 2010; Singla, 2026):
Faixas de precisão por classe (AACE International, 2020). A faixa encolhe com a definição do projeto, e o lado alto é sempre maior.
As faixas são assimétricas, com o lado alto maior que o baixo, o que é coerente com a evidência de sobrecustos. Uma estimativa de Classe 5 não sustenta um compromisso de orçamento.
Ver a tabela das classes
Classe
Uso típico
Faixa inferior
Faixa superior
5
Triagem conceitual
−20% a −50%
+30% a +100%
4
Estudo de viabilidade
−15% a −30%
+20% a +50%
3
Orçamento e autorização
−10% a −20%
+10% a +30%
2
Controle ou licitação
−5% a −15%
+5% a +20%
1
Estimativa de verificação
−3% a −10%
+3% a +15%
Síntese da Aula 1
Custo, despesa e investimento são conceitos distintos e afetam como o projeto é aprovado e medido.
O custo relevante para decidir é o incremental: com projeto menos sem projeto.
O TCO inclui reposições, operação e desativação; a soma nominal engana.
Estimativas erram por viés, por incentivo e por incerteza técnica.
A técnica de estimativa deve acompanhar a definição do escopo.
Preparação para a Aula 2: reler o Quadro 4.1 do Guia ACB (viés de otimismo) e, como leitura opcional, Flyvbjerg (2006), com versão aberta no arXiv.
Estimativa probabilística, orçamento, reservas e valor agregado
Três pontos, reservas, curva S, visão externa e valor agregado
Atividade 2
Atividade 3
2.1Estimativa de três pontos (PERT)
Uma estimativa pontual esconde a incerteza. O método de três pontos pede, para cada pacote, um valor otimista (O), um mais provável (M) e um pessimista (P). Com a distribuição beta-PERT:
E = O + 4M + P6σ = P − O6
A versão triangular, E = (O + M + P) / 3, dá mais peso aos extremos (PMI, 2025; Vargas, 2018b). No pacote Software WMS e integração com o ERP do Atlas (O = 300, M = 380, P = 600), a cauda à direita desloca a média para E = 403,3, acima do mais provável. Em custos, o pessimista tende a ficar mais longe do mais provável do que o otimista, porque há mais formas de o trabalho dar errado do que de dar certo. Convém pedir O e P a mais de uma fonte, e não só a quem defende o projeto.
Distribuição beta-PERT do pacote Software WMS e integração com o ERP (R$ mil).
2.2Do pacote ao projeto: somando incertezas
As médias dos pacotes se somam. As variâncias se somam quando os pacotes são independentes:
Etotal = Σ Eiσtotal = √(Σ σi²)
Com a aproximação normal, a probabilidade de o custo ficar até um valor X e o valor no percentil 80 são:
P(custo ≤ X) = Φ(X − Eσ)P80 = E + 0,84 σ
Leitura da distribuição do custo total: Σ M, valor esperado e P80. Ilustrativo, sem escala de valores.
No Excel em português: DIST.NORM.N(X; E; σ; VERDADEIRO) e INV.NORM.N(0,8; E; σ).
Duas limitações precisam ser ditas. Pacotes correlacionados (mesmo fornecedor, mesma equipe, mesmo câmbio) aumentam o desvio do total, e ignorar a correlação subestima o risco. Além disso, a distribuição real dos sobrecustos tem cauda pesada (Flyvbjerg et al., 2018), e a normal subestima eventos extremos. A simulação de Monte Carlo, na Aula 4, trata melhor as duas questões.
2.3Atividade 2: estimativa de três pontos do Atlas
O PMBOK 8 apresenta dois cenários de composição do orçamento (PMI, 2025, p. 60, Figura 2-25). Com reservas implícitas, o orçamento soma as estimativas dos pacotes, a reserva de contingência e a reserva gerencial, e a contingência fica dentro da linha de base. Com reservas explícitas, a linha de base contém só as estimativas, e as duas reservas ficam fora dela. O Atlas usa o primeiro cenário.
Exemplo ilustrativo, com números redondos: estimativas de R$ 1.000 mil mais contingência de R$ 60 mil formam a linha de base de R$ 1.060 mil; com reserva gerencial de R$ 50 mil, o orçamento é de R$ 1.110 mil.
Do custo estimado ao orçamento, no cenário de reservas implícitas (exemplo ilustrativo).
Reserva de contingência
Reserva gerencial
Para quê
Riscos identificados com resposta ativa
Trabalho imprevisto dentro do escopo
Tipo de incerteza
Desconhecidos conhecidos
Desconhecidos desconhecidos
Na linha de base?
Em geral, sim (cenário implícito)
Não; fica no orçamento total
Quem libera
Gerente do projeto, conforme o plano
Alta gestão ou patrocinador
Como dimensionar
Σ (probabilidade × impacto) dos riscos ou percentil de Monte Carlo
Percentual definido pela política da organização
Fonte: elaborado com base em PMI (2025, p. 60). Reservas também sofrem viés: uma equipe que sabe que tem reserva tende a consumi-la. A governança da liberação importa tanto quanto o valor.
2.5Linha de base de custos e curva S
A linha de base é o orçamento aprovado distribuído no tempo e serve de referência para comparar o realizado (PMI, 2025, p. 60). A curva S resulta do ritmo do trabalho: lento no início, acelerado no meio e lento no fim. O financiamento costuma ser liberado em parcelas, que precisam ficar acima da curva acumulada. No exemplo ilustrativo, com a mesma distribuição percentual que o Atlas usará (5%, 12%, 25%, 42%, 60%, 76%, 90% e 100% acumulados nos meses 1 a 8), as parcelas são de R$ 300 mil até o mês 3, R$ 820 mil até o mês 6 e R$ 1.110 mil até o mês 8. Se o financiamento seguir a curva da linha de base e o projeto atrasar, o caixa da empresa fica descasado.
Curva S e parcelas de financiamento no projeto ilustrativo (R$ mil).
2.7Visão externa: previsão por classe de referência
A previsão por classe de referência aplica a visão externa: em vez de partir só dos detalhes do projeto, ancora a estimativa na distribuição de resultados de projetos semelhantes. Flyvbjerg (2006) descreve três passos: identificar a classe de referência; estabelecer a distribuição de probabilidade dos desvios dessa classe; posicionar o projeto nessa distribuição e definir o acréscimo necessário para o nível de confiança desejado. O Guia ACB (Quadro 4.1) cita quatro medidas de Flyvbjerg e Bester (2021) contra o viés de otimismo: usar séries históricas de projetos semelhantes, responsabilizar quem faz as projeções, submeter as projeções a auditoria independente e abrir a análise à participação pública (Ministério da Economia, 2022, p. 60-61).
A classe de referência da Atividade 7: 20 projetos de automação da empresa. Cada ponto é um projeto.
1
Identificar a classe de referênciaprojetos anteriores semelhantes ao atual
2
Estabelecer a distribuiçãorazão entre custo real e estimado nessa classe
3
Posicionar o projetoaplicar o acréscimo do nível de confiança desejado (P50, P80)
2.8Casos reais da Aula 2
Três casos internacionais ilustram estimativa imatura, classe de referência e escolha da linha de base. O texto completo, com as fontes, está na página de casos.
Comparar o custo real com o planejado não diz nada sobre eficiência, porque mistura atraso e gasto. O valor agregado separa as duas coisas com três grandezas (PMI, 2025, Tabela 5-1):
PV (valor planejado): orçamento autorizado do trabalho programado até a data.
EV (valor agregado): orçamento do trabalho efetivamente concluído.
AC (custo real): custo incorrido no trabalho concluído.
Sigla
Cálculo
Leitura
CV
EV − AC
Positivo: abaixo do custo planejado
SV
EV − PV
Positivo: adiantado (em R$)
CPI
EV / AC
Acima de 1: eficiente em custo
SPI
EV / PV
Acima de 1: adiantado
Exemplo: no mês 5 de um projeto de 10 meses com BAC de 100, estava planejado concluir 50 (PV), foi concluído o equivalente a 40 (EV) e gastou-se 45 (AC). CV = −5; SV = −10; CPI = 0,89; SPI = 0,80.
Cada fórmula de estimativa no término (EAC) expressa uma hipótese sobre o futuro (PMI, 2025, p. 205-207; Vargas, 2018a):
Hipótese
EAC
O desvio foi atípico e não se repetirá
AC + (BAC − EV)
O desempenho de custo atual continuará
BAC / CPI
Custo e prazo afetarão o trabalho restante
AC + (BAC − EV) / (CPI × SPI)
Derivados: ETC = EAC − AC (quanto falta gastar); VAC = BAC − EAC (variação prevista no término); TCPI = (BAC − EV) / (BAC − AC), o desempenho de custo necessário no trabalho restante para terminar no BAC. Um TCPI muito acima do CPI acumulado indica meta irrealista.
Síntese da Aula 2
Somar valores mais prováveis subestima o custo quando as distribuições são assimétricas.
Orçamento = estimativas + contingência + reserva gerencial; cada reserva tem dono e regra.
A visão externa corrige a estimativa com dados de projetos semelhantes.
O valor agregado separa atraso de ineficiência de custo.
Cada fórmula de EAC é uma hipótese sobre o futuro.
Preparação para a Aula 3: ler o Capítulo 8 do Guia ACB (indicadores de viabilidade, p. 107-120) e manter a planilha aberta para as funções VPL e TIR.
Prazo agregado, custos em ágil, IA e viabilidade financeira
Prazo agregado, ágil, IA na estimativa, VPL, TIR, payback e IL
Atividade 4
Atividade 5
3.1O limite do SPI no fim de projetos atrasados
Lipke (2003) mostrou que os indicadores de prazo do valor agregado se comportam mal no terço final de projetos atrasados. Como SV = EV − PV e as duas grandezas convergem para o BAC, o SV vai a zero e o SPI vai a 1,0 no término, qualquer que seja o atraso. No exemplo do artigo, um projeto previsto para janeiro de 2002 terminou em abril de 2002 e fechou com SPI de 1,0. Um projeto de 8 meses que termina no mês 10 tem SPI final de 1,0; a medida correta do desempenho de prazo seria 8 ÷ 10 = 0,80.
Exemplo ilustrativo com BAC de 100: o SPI esconde o atraso no fim; o SPI(t) não.
3.2Prazo agregado (Earned Schedule)
O prazo agregado (ES) é o tempo em que o valor agregado atual deveria ter sido alcançado segundo a linha de base. Graficamente, projeta-se o EV atual na horizontal até a curva PV e lê-se o tempo correspondente. Por interpolação:
ES = C + EV − PVCPVC+1 − PVC
Projeção horizontal do EV sobre a curva PV. Exemplo ilustrativo, diferente do Atlas.
em que C é o último período completo com PV ≤ EV. Os indicadores medem prazo em unidades de tempo (Lipke, 2003, 2014): SV(t) = ES − AT; SPI(t) = ES / AT; e a previsão de duração IEAC(t) = PD / SPI(t), em que AT é o tempo decorrido e PD a duração planejada. Para a evidência empírica sobre métodos de previsão de prazo baseados no valor agregado, ver Batselier e Vanhoucke (2015).
3.3Atividade 4: valor agregado e prazo agregado do Atlas
Em abordagens ágeis, o escopo detalhado varia e a equipe tende a ser estável. O custo fica previsível por iteração (custo da equipe × duração), e o orçamento pode ser alocado por trimestre e revisto (PMI, 2025, p. 59-60). O valor agregado pode ser adaptado com pontos de história:
EV = (pontos concluídos ÷ pontos planejados da release) × orçamento da release;
Exemplo: release de 10 sprints, 300 pontos e orçamento de R$ 1.400 mil (R$ 140 mil por sprint). Após 4 sprints, 100 pontos concluídos. EV = 100/300 × 1.400 = 466,7; PV = 4/10 × 1.400 = 560; AC = 4 × 140 = 560; CPI = SPI = 0,833. Pela velocidade observada (25 pontos por sprint), faltam 8 sprints, 12 no total, ou R$ 1.680 mil, o mesmo valor de BAC / CPI. Pontos de história são relativos à equipe e não se comparam entre equipes; o indicador serve para a mesma equipe ao longo da release. Para métodos e métricas de estimativa em projetos ágeis, ver Canedo e Costa (2018), nas Pontes para o Conhecimento.
Burn-up da release do exemplo: velocidade observada contra a planejada.
3.5IA e analytics na estimativa de custos
Tayefeh Hashemi et al. (2020) revisaram 92 artigos sobre estimativa de custos em obras: redes neurais artificiais foram a técnica mais usada, a regressão veio em segundo lugar, e modelos híbridos com frequência superaram redes neurais isoladas. Os limites apontados foram modelos de caixa-preta, necessidade de muitos dados homogêneos e risco de sobreajuste. Al-Shihabi (2026), em revisão sistemática de 30 estudos empíricos sobre IA na estimativa de custos de pré-construção, registra baixa capacidade de generalização entre contextos, validação inconsistente e pouca adoção de IA explicável.
A leitura para a disciplina: um modelo treinado com dados de projetos semelhantes é uma forma de visão externa. Ele herda o viés dos dados (por exemplo, a falta de registro do valor estimado na aprovação) e não substitui a decisão. Diante de uma estimativa feita por modelo, o comitê deve pedir o intervalo, a validação fora da amostra e o nome de quem responde pela decisão.
3.6Valor do dinheiro no tempo
VF = VP × (1 + i)nVP = VF(1 + i)n
Desconto de um valor futuro a 12% ao ano.
R$ 100 mil recebidos daqui a 3 anos valem hoje 100 / 1,12³ = R$ 71,18 mil a 12% ao ano. Fluxo e taxa precisam ser consistentes: fluxos em moeda constante pedem taxa real; fluxos nominais pedem taxa nominal, com (1 + nominal) = (1 + real) × (1 + inflação). O Guia ACB trabalha a preços constantes (Ministério da Economia, 2022, p. 76, 109-110).
3.7Fluxo de caixa incremental
O Guia ACB calcula os indicadores sobre o cenário comparativo C = A − B: cenário com o projeto menos cenário base, sem o projeto (Ministério da Economia, 2022, p. 108). A mesma lógica vale para a análise financeira de uma empresa. Entram o investimento (inclusive capital de giro), as receitas ou economias incrementais, o Opex incremental, os tributos sobre o resultado incremental e o valor residual. Não entram os custos irrecuperáveis, a depreciação como saída de caixa (ela só afeta o fluxo pelo benefício fiscal) e os juros do financiamento, que já estão na taxa de desconto. O cenário base precisa ser realista: no Atlas, sem o projeto o volume continuaria crescendo e a operação manual exigiria contratações; um cenário base parado no tempo infla o benefício.
Cenário com o projeto (A)
Economias, Opex do WMS, investimento e valor residual, com o volume futuro previsto.
−
Cenário base (B)
A operação sem o projeto, também com o volume crescendo e contratações na operação manual.
=
Fluxo incremental (C)
É sobre ele que se calculam VPL, TIR, payback e IL.
3.8Taxa de desconto: TMA e WACC
WACC = ED + E Ke + DD + E Kd (1 − T)Ke = Rf + β (Rm − Rf)
O custo do capital próprio costuma ser estimado pelo CAPM (Assaf Neto, 2020); em países emergentes acrescenta-se um prêmio de risco-país, disponível nas bases públicas de Damodaran indicadas nas Pontes para o Conhecimento. Exemplo ilustrativo: Ke = 15,5%, Kd = 12,0%, T = 34%, 55% de capital próprio e 45% de dívida. WACC = 0,55 × 15,5% + 0,45 × 12,0% × 0,66 = 12,09%, arredondado para a TMA de 12% ao ano usada no Atlas. A TMA é uma decisão de política da empresa, em geral igual ao WACC acrescido de um prêmio pelo risco do projeto.
3.9Indicadores de viabilidade
VPL. VPL = Σ FCt / (1 + TMA)t, de t = 0 até n. VPL > 0 cria valor acima da TMA; VPL = 0 remunera exatamente a TMA; VPL < 0 destrói valor. Exemplo: investimento de 100 e entradas de 40, 50 e 60 nos anos 1 a 3, a 10% ao ano: VPL = −100 + 36,36 + 41,32 + 45,08 = 22,76. O VPL considera todos os fluxos e o valor do dinheiro no tempo e é aditivo entre projetos; depende da qualidade das projeções e da taxa, por isso a Aula 4 trata de risco. No Excel em português: =VPL(taxa; fluxos do ano 1 ao ano n) + fluxo do ano 0.
TIR e TIRM. A TIR é a taxa que zera o VPL (no exemplo, 21,65%); aceita-se o projeto se TIR > TMA. Há três armadilhas: fluxos com mais de uma troca de sinal podem ter várias TIRs ou nenhuma; a TIR pressupõe reinvestimento à própria TIR; a TIR ignora a escala e pode ordenar mal alternativas mutuamente exclusivas. O Guia ACB alerta que, quando as curvas de VPL de duas alternativas se cruzam, a taxa de retorno não deve ser o critério de decisão (Ministério da Economia, 2022, Quadro 8.3, p. 113). A TIRM leva os fluxos positivos ao fim do horizonte pela taxa de reinvestimento e traz os negativos ao início pela taxa de financiamento. No Excel: =TIR(fluxos) e =MTIR(fluxos; taxa de financiamento; taxa de reinvestimento).
Payback e IL. O payback simples é o tempo até o fluxo acumulado ficar positivo; o descontado faz o mesmo com fluxos descontados à TMA. Os dois medem exposição e liquidez e ignoram o que ocorre depois da recuperação, por isso não decidem sozinhos. O índice de lucratividade é o valor presente das entradas dividido pelo investimento; IL > 1 equivale a VPL > 0, e o indicador ordena projetos sob restrição de capital. No Guia ACB, o equivalente é a relação benefício-custo (Casarotto Filho & Kopittke, 2020; Ministério da Economia, 2022).
O prazo agregado corrige o SPI no fim de projetos atrasados.
Em ágil, o custo é previsível por iteração e o escopo se ajusta.
Modelos de IA são visão externa e herdam a qualidade dos dados.
O VPL decide; TIR, payback e IL complementam.
Preparação para a Aula 4: ler o Capítulo 9 do Guia ACB (análise de risco, p. 121-131) e trazer o caso da Atividade Prévia para o debate sobre sobrecustos.
Risco na viabilidade, custo-benefício, benefícios e sobrecustos
Sensibilidade, Monte Carlo, Guia ACB, benefícios e o debate sobre sobrecustos
Atividade 6
Atividade 7
4.1Retomada: o Atlas ainda é viável?
O business case do Atlas tem VPL de R$ 153,3 mil com investimento de R$ 1.830 mil. Na Atividade 4, a EAC pelo CPI no mês 4 chegou a R$ 1.991,6 mil, 8,8% acima do orçamento. A noite começa com essa pergunta, e as ferramentas de risco mostram como antecipar a resposta.
4.2Sensibilidade, elasticidade e valor de inflexão
O Guia ACB recomenda testar uma variável por vez e classificar como críticas as variáveis cuja variação de 1% altera o VPL em mais de 1%, isto é, com elasticidade maior que 1 em módulo (Ministério da Economia, 2022, p. 122-123):
Elasticidade = Δ% do VPLΔ% da variável
Variável do Atlas
VPL com −10%
VPL com +10%
Elasticidade
Crítica?
Economias operacionais
−87,0
393,6
15,68
Sim
Investimento inicial
336,3
−29,7
−11,94
Sim
Opex incremental
203,7
102,8
−3,29
Sim
Valor residual
144,8
161,8
0,56
Não
Tornado do Atlas: efeito de ±10% em cada variável sobre o VPL (R$ mil).
O próprio Guia faz um alerta: quanto mais perto de zero estiver o VPL-base, maiores as elasticidades, o que pode levar a interpretações equivocadas. As variáveis testadas devem ser independentes e desagregadas. O diagrama de tornado ordena as variáveis pelo efeito no VPL (PMI, 2025, Figura 5-21); no Atlas, as duas primeiras barras, economias e investimento, concentram a decisão.
O valor de inflexão é o valor que a variável teria de atingir para o VPL ser zero (Ministério da Economia, 2022, p. 124). No Atlas, o investimento pode subir até 8,4%, as economias podem cair até 6,4% e o Opex pode subir até 30,4%. A EAC do mês 4 eleva o investimento em 8,8%, acima do valor de inflexão: o VPL vai a R$ −8,3 mil. O projeto ficou no limite da viabilidade durante a execução, situação que o processo Monitorar e Controlar as Finanças deve detectar.
VPL do Atlas em função da variação de cada variável crítica (R$ mil). Os pontos marcam os valores de inflexão.
4.3Cenários e simulação de Monte Carlo
Os cenários combinam valores plausíveis das variáveis críticas, com extremos definidos a partir de dados históricos sempre que possível (Ministério da Economia, 2022, p. 124).
Cenário
Investimento
Economias
Opex
VPL (R$ mil)
TIR
Pessimista
+20%
−15%
+15%
−648,8
0,30%
Base
0%
0%
0%
153,3
15,04%
Otimista
−5%
+5%
−5%
390,2
19,96%
Um atraso de um ano no início das economias leva o VPL a R$ −343,9 mil: prazo também é variável crítica. Os cenários não informam a probabilidade de cada combinação; a simulação de Monte Carlo trata disso em quatro passos: escolher as variáveis críticas; atribuir distribuições de probabilidade, de preferência com dados históricos; sortear milhares de combinações e calcular o VPL de cada uma; ler a distribuição resultante (Ministério da Economia, 2022, cap. 9; PMI, 2025, Figura 5-22).
No Atlas, com distribuições triangulares (mínimo, mais provável, máximo) para o investimento (1.750; 1.830; 2.250), o fator das economias (0,80; 1,00; 1,10) e o fator do Opex (0,90; 1,00; 1,25), 10.000 simulações deram VPL médio de R$ −64,7 mil, P50 de R$ −54,1 mil, P80 de R$ 101,5 mil e probabilidade de VPL negativo de 60,9%. O caso-base não é o caso médio: quando as incertezas são assimétricas, como costumam ser em custos, o valor esperado fica abaixo do caso-base.
Distribuição do VPL do Atlas em 10.000 simulações (barras laranja: VPL negativo).
4.4Matriz de riscos
O Guia ACB propõe a análise qualitativa com uma lista de eventos adversos e uma matriz que combina classes de probabilidade (A: 0 a 10%; B: 10 a 33%; C: 33 a 66%; D: 66 a 90%; E: 90 a 100%) e níveis de severidade (de I, sem efeito significativo, a V, catastrófico), com interpretação dos níveis aceitáveis e medidas de prevenção ou mitigação com responsáveis (Ministério da Economia, 2022, p. 125-128). No Atlas: incompatibilidade na integração WMS-ERP (B, IV); resistência dos operadores que atrasa as economias (C, IV); variação cambial (C, II); atraso na licença da obra (B, III). Cada evento deve ser ligado à variável crítica que afeta.
Probabilidade ↓ · Severidade →
I
II
III
IV
V
E90 a 100%
D66 a 90%
C33 a 66%
Variação cambial
Resistência dos operadores
B10 a 33%
Licença da obra
Integração WMS-ERP
A0 a 10%
Severidade de I (sem efeito significativo) a V (catastrófico). Cores ilustrativas: verde baixo, amarelo moderado, vermelho alto. Fonte: elaborado com base em Ministério da Economia (2022, p. 125-128).
4.5Atividade 6: risco na viabilidade, Atlas e alternativa B
O Guia ACB define a análise custo-benefício como método quantitativo sistemático de avaliação de projetos, programas e políticas sob a perspectiva do bem-estar social (Ministério da Economia, 2022). As diferenças em relação à análise financeira estão resumidas abaixo.
Aspecto
Análise financeira (empresa)
Análise socioeconômica (Guia ACB)
Perspectiva
Acionistas e financiadores
Sociedade
Preços
De mercado, com tributos
Sociais (fatores de conversão); tributos e subsídios excluídos por serem transferências
Externalidades
Em geral, fora
Incluídas (emissões, tempo de viagem, acidentes)
Taxa de desconto
TMA ou WACC
Taxa social de desconto de 8,5% ao ano, real
Indicadores
VPL, TIR, payback, IL
ΔVSPL, TRE, relação B/C e VAE, sobre o cenário C = A − B
Fonte: elaborado com base em Ministério da Economia (2022, cap. 5 e 8). Um projeto pode ter VPL financeiro negativo e ΔVSPL positivo quando os benefícios sociais não viram receita, como na redução de acidentes. Essa é a lógica econômica de subsídios e contraprestações em concessões e parcerias com o setor privado.
4.7Business case e realização de benefícios
Zwikael e Smyrk (2019) propõem tratar o projeto a partir dos benefícios: o projeto entrega produtos; a organização os utiliza e gera resultados; os resultados produzem benefícios mensuráveis, ligados aos objetivos estratégicos. Os benefícios-alvo precisam ser definidos com qualidade desde o business case (Zwikael et al., 2018). Como os benefícios ocorrem depois do fim do projeto e dependem de quem opera, o business case precisa de um dono do benefício, diferente do gerente do projeto, e de medição depois da entrega. No Atlas, os produtos são o WMS, os coletores e as esteiras funcionando; os resultados, separação mais rápida e com menos erros; os benefícios, economias operacionais e menos devoluções, as variáveis mais críticas do tornado.
1
ProdutosWMS, coletores e esteiras funcionando
2
Uso pela operaçãoa organização adota os produtos
3
Resultadosseparação mais rápida e com menos erros
4
Benefícioseconomias operacionais e menos devoluções
5
Objetivos estratégicoscusto de servir e nível de serviço
Serra e Kunc (2015) pesquisaram profissionais de gerenciamento de projetos no Brasil, no Reino Unido e nos Estados Unidos (900 convites, com taxa de resposta de 32%, segundo o resumo da Association for Project Management, s.d.). As práticas de gestão de benefícios aparecem associadas à execução da estratégia, com associação mais forte com a criação de valor estratégico do que com prazo, custo e escopo, e complementam as práticas de gerenciamento de projetos e portfólios. Trata-se de estudo de percepção, com dados de corte transversal; não demonstra causalidade.
4.8Sobrecustos: duas explicações em disputa
Flyvbjerg et al. (2018), em resposta a Love e Ahiaga-Dagbui (2018), defendem cinco pontos: medir os sobrecustos de forma consistente, a partir da decisão de construir; usar dados completos; reconhecer que a distribuição tem cauda pesada; tratar o viés comportamental (otimismo e deturpação estratégica) como causa raiz; e corrigi-lo com a previsão por classe de referência. Love et al. (2016) propõem uma teoria probabilística de causação, que inclui mudanças de escopo e retrabalho, e Love et al. (2019) contestam a suficiência da falácia do planejamento, com o argumento de que a escolha do orçamento de referência infla os percentuais medidos.
Flyvbjerg et al. (2018)
medir a partir da decisão de construir
dados completos
cauda pesada
viés comportamental como causa raiz
correção pela classe de referência
Love et al. (2016, 2019); Love e Ahiaga-Dagbui (2018)
teoria probabilística de causação
mudanças de escopo e retrabalho
a escolha do orçamento de referência infla o percentual
Onde as duas posições convergem
Registrar o valor estimado na decisão.
Usar dados de projetos semelhantes.
Gerir escopo e retrabalho.
Na prática, as duas posições convergem em três recomendações: registrar o valor estimado na decisão, usar dados de projetos semelhantes e gerir escopo e retrabalho. A evidência brasileira é compatível com a explicação técnica: Alvarenga et al. (2021) apontam alterações de projeto e acréscimos de escopo como causas principais em obras de universidades federais, e Santos et al. (2015) encontraram falhas de projeto e inclusões de serviços em obras de edificações públicas municipais. Essa evidência não exclui a explicação comportamental: um projeto básico deficiente aprovado para cumprir prazo de licitação pode ser falha técnica e escolha estratégica ao mesmo tempo.
4.9Casos reais da Aula 4
Casos brasileiros e internacionais de sobrecusto, com dois exemplos de sucesso para comparação. O texto completo, com as fontes, está na página de casos.
Em sala, grupos de 4 a 5 pessoas trabalham em salas simultâneas e postam o arquivo no AVA. A Atividade Prévia é individual.
Atividade Prévia
O Guia ACB e um caso da sua organização
Individual · antes da Aula 1 · 10 pontos · debrief na Aula 1
A Atividade Prévia, realizada antes do início da disciplina, proporciona o contato com o conteúdo básico para acompanhamento das aulas. Tem o objetivo de nivelar o conhecimento necessário à participação de todos. Portanto, trata-se de uma atividade estratégica para potencializar o seu aproveitamento na disciplina.
Leitura obrigatória
Leitura obrigatória. Ministério da Economia (2022), Guia geral de análise socioeconômica de custo-benefício de projetos de investimento em infraestrutura (Guia ACB), Versão 3. O arquivo é gratuito e está no repositório da Enap (arquivo “Guia ACB.pdf”). Leia os trechos abaixo, que somam cerca de 30 páginas:
Quadro 4.1, ACB e o viés de otimismo (p. 60–61);
Capítulo 5, seções Custos de investimento (Capex) e Custos operacionais (Opex) (p. 73–77);
Capítulo 8, Indicadores de viabilidade do projeto (p. 107–120);
Capítulo 9, Análise de risco (p. 121–131).
Tarefas
Descreva o caso escolhido1,5 ponto
Escolha um projeto ou uma iniciativa da sua organização, em andamento ou concluído nos últimos três anos, cuja aprovação dependeu de uma estimativa de custos e de algum julgamento de viabilidade. O caso pode ter dado certo ou não. Informe o objetivo do projeto, o porte do investimento (valor ou ordem de grandeza), quem decidiu pela aprovação e com base em quais informações.
Explique um conceito do Guia e compare com a prática da sua organização3,5 pontos
Explique o conceito com suas palavras e indique a página do Guia. Em seguida, mostre como a sua organização tratou esse conceito no caso da Tarefa 1, inclusive se não o aplicou. Apresente ao menos um dado, documento ou fato do caso que sustente a comparação.
Escolha um dos conceitos:
custos de investimento (Capex), custos operacionais (Opex) e custos de reposição ao longo do ciclo de vida (cap. 5);
fluxo de caixa comparativo, isto é, o cenário com o projeto menos o cenário base (cap. 8);
indicadores de viabilidade: valor presente líquido, taxa de retorno e índice benefício-custo (cap. 8);
análise de sensibilidade, variáveis críticas e valor de inflexão (cap. 9);
matriz de riscos, com probabilidade de ocorrência e severidade do impacto (cap. 9);
viés de otimismo em estimativas de custos e de benefícios (Quadro 4.1).
Avalie o resultado do caso2,5 pontos
Compare o que foi estimado com o que ocorreu em custo, prazo ou benefício. Se o projeto está em andamento, compare a estimativa com a situação atual. Se a organização não registrou esses dados, diga isso e explique o que a ausência do registro revela sobre a forma como ela avalia projetos. Aponte ao menos uma causa provável para o resultado e relacione essa causa com o conceito escolhido na Tarefa 2.
Proponha uma melhoria e uma pergunta para a aula1,5 ponto
Com base na leitura, proponha uma mudança concreta que a organização poderia adotar no próximo projeto semelhante. Exemplos: calcular o valor de inflexão do custo de investimento antes da aprovação; usar dados de projetos anteriores para corrigir a estimativa; incluir o Opex e as reposições na análise de viabilidade. Encerre com uma pergunta sobre o seu caso para discussão em sala.
Produto esperado. Texto individual de 2 a 4 páginas, sem contar as referências, com respostas às quatro tarefas na ordem indicada. Sempre que usar um conceito do Guia, cite a página.
Confidencialidade e uso de IA. Você pode omitir o nome da empresa e apresentar valores em percentuais, índices ou ordens de grandeza. Não insira dados confidenciais da organização em ferramentas de IA abertas ao público. Se usar IA, informe ao final do texto, em até três linhas, em que etapa e com que finalidade a usou.
Entrega: arquivo em Word, individual, publicado no AVA no prazo informado pela coordenação.
Atividade 1
Mapa de custos e custo total de propriedade (TCO) do Projeto Atlas
salas simultâneas, 25 minutos, mais 15 minutos de plenária
Objetivo
Aplicar a terminologia de custos ao projeto e comparar duas alternativas pelo custo do ciclo de vida, e não pelo preço de compra.
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil.
Parte A. Classificação dos custos
Classifiquem os 12 itens em direto ou indireto (D ou I), fixo ou variável (F ou V) e Capex ou Opex. Justifiquem os itens que o grupo considerar discutíveis.
#
Item de custo
D ou I
F ou V
Capex ou Opex
Justificativa (itens discutíveis)
1
Licenças perpétuas do WMS (pagamento único)
2
Horas da consultoria de implantação (R$/hora)
3
Coletores de dados e impressoras (por doca)
4
Salário do gerente do projeto (dedicação de 50%)
5
Rateio do aluguel do escritório da TI
6
Treinamento dos operadores (por turma)
7
Assinatura anual de suporte do WMS
8
Energia elétrica adicional dos equipamentos
9
Obra civil de adequação das docas (por m²)
10
Seguro anual dos equipamentos
11
Horas do PMO corporativo (rateio)
12
Reposição das baterias dos coletores no ano 3
Parte B. Custo total de propriedade (TCO) em 5 anos
A equipe compara duas alternativas para o WMS: A, instalada nos servidores da empresa (on-premise), e B, contratada como serviço (SaaS).
Componente
A: on-premise
B: SaaS
Capex inicial (licenças, servidores e implantação)
1.200
400
Opex anual (manutenção, infraestrutura ou assinatura)
180 por ano
380 por ano
Reposição de servidores no ano 4
200
não há
Valor residual no ano 5
0
0
Calculem o TCO nominal de cada alternativa no horizonte de 5 anos.
Qual alternativa o grupo escolheria? Por quê?
Que informação falta para decidir? Pensem em reajustes, flexibilidade, riscos do fornecedor e na regra de Capex e Opex da empresa.
Ver o modelo de resposta do arquivo
Ano
0
1
2
3
4
5
Total
A: on-premise
B: SaaS
Observação: na Aula 3, o mesmo TCO será refeito em valor presente, com a taxa mínima de atratividade da empresa.
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Referências
Martins, E. (2018). Contabilidade de custos (11. ed.). Atlas.
Project Management Institute. (2025). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® guide) – Eighth edition and The standard for project management. Project Management Institute.
salas simultâneas, 20 minutos, mais 10 minutos de plenária
Objetivo
Tratar a estimativa como uma distribuição de probabilidade e medir a confiança associada a um valor de orçamento.
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil. A soma dos valores mais prováveis (M) dos pacotes é R$ 1.590 mil. Para cada pacote, a equipe estimou um valor otimista (O), um mais provável (M) e um pessimista (P).
Dados
Pacote de trabalho (R$ mil)
O
M
P
E
σ
σ²
Infraestrutura e obra civil
380
450
640
Equipamentos (coletores, impressoras, esteiras)
520
560
700
Software WMS e integração com o ERP
300
380
600
Treinamento e gestão da mudança
60
80
130
Gestão do projeto
110
120
150
Projeto
1.370
1.590
2.220
Fórmulas de apoio
Distribuição beta (PERT): E = (O + 4M + P) / 6 e σ = (P − O) / 6.
Aproximação normal: P(custo ≤ X) = DIST.NORM.N(X; E; σ; VERDADEIRO); valor no percentil 80 = INV.NORM.N(0,8; E; σ), ou E + 0,84σ.
Tarefas
Calculem E e σ de cada pacote.
Calculem E e σ do projeto, supondo pacotes independentes.
Qual é a probabilidade de o custo do projeto ser de até R$ 1.590 mil (a soma dos valores mais prováveis)?
Qual é o valor do projeto no P80?
Qual reserva, acima de R$ 1.590 mil, seria necessária para ter 80% de confiança?
Que efeito teria uma correlação positiva entre os pacotes (mesmo fornecedor, mesmo câmbio, mesma equipe) sobre o P80?
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Referências
Project Management Institute. (2025). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® guide) – Eighth edition and The standard for project management. Project Management Institute.
Vargas, R. V. (2018b). Gerenciamento de projetos: Estabelecendo diferenciais competitivos (9. ed.). Brasport.
salas simultâneas, 20 minutos, mais 10 minutos de plenária
Objetivo
Compor o orçamento do projeto a partir das estimativas, separar as reservas por finalidade e distribuir a linha de base no tempo.
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil. Use como estimativa dos pacotes o valor esperado da Atividade 2, arredondado: R$ 1.658 mil. A empresa adota o cenário de reservas implícitas do PMBOK 8: a contingência fica dentro da linha de base, e a reserva gerencial fica fora dela, no orçamento total.
Dados
Registro de riscos com resposta ativa (o item 4 é uma oportunidade, com impacto negativo no custo):
Risco ou oportunidade
Probabilidade
Impacto (R$ mil)
VME (R$ mil)
Atraso na licença da obra das docas
30%
90
Incompatibilidade na integração WMS-ERP
25%
160
Variação cambial na importação das esteiras
40%
70
Oportunidade: desconto por volume nos coletores
20%
-50
Contingência (Σ VME)
Distribuição do trabalho no tempo (percentual acumulado da linha de base):
Mês
1
2
3
4
5
6
7
8
% acumulado
5%
12%
25%
42%
60%
76%
90%
100%
PV acumulado (R$ mil)
Tarefas
Calculem o valor monetário esperado (VME) de cada risco e a reserva de contingência.
Calculem a linha de base de custos (estimativas + contingência).
Calculem a reserva gerencial (5% da linha de base, conforme a política da empresa) e o orçamento total.
Montem a curva S: preencham o PV acumulado de cada mês na tabela acima.
Quem deve autorizar o uso de cada reserva? Que regra de liberação o grupo proporia ao patrocinador?
Item
Valor (R$ mil)
Estimativas dos pacotes
1.658
Reserva de contingência
Linha de base (BAC)
Reserva gerencial
Orçamento total
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Referências
Project Management Institute. (2025). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® guide) – Eighth edition and The standard for project management. Project Management Institute.
Vargas, R. V. (2018b). Gerenciamento de projetos: Estabelecendo diferenciais competitivos (9. ed.). Brasport.
salas simultâneas, 25 minutos, mais 10 minutos de plenária
Objetivo
Diagnosticar o desempenho de custo e de prazo do projeto e projetar o custo e a duração no término com o valor agregado e o prazo agregado.
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil. Fim do mês 4 de 8. O relatório de status traz os dados abaixo.
Prazo agregado: ES = C + (EV − PV_C) / (PV_C+1 − PV_C), em que C é o último mês com PV ≤ EV; SV(t) = ES − AT; SPI(t) = ES / AT; IEAC(t) = PD / SPI(t).
Tarefas
Calculem CV, SV, CPI e SPI e interpretem cada um em uma frase.
Calculem a EAC pelas três hipóteses, o ETC e o VAC (pela EAC com CPI).
Calculem o TCPI para terminar no BAC. Esse desempenho é realista?
Calculem ES, SV(t), SPI(t) e IEAC(t).
Qual EAC o grupo levaria ao comitê? Por quê?
Ver o modelo de resposta do arquivo
Indicador
Cálculo
Resultado
Leitura
CV
SV
CPI
SPI
EAC (desvio atípico)
EAC (CPI)
EAC (CPI × SPI)
ETC
VAC
TCPI
ES
SV(t)
SPI(t)
IEAC(t)
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Referências
Project Management Institute. (2025). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® guide) – Eighth edition and The standard for project management. Project Management Institute.
Lipke, W. (2003, março). Schedule is different. The Measurable News, 31–34.
Lipke, W. (2014). Introduction to earned schedule. PM World Journal, 3(11), 1–11.
Vargas, R. V. (2018a). Análise de valor agregado: Revolucionando o gerenciamento de prazos e custos (7. ed.). Brasport.
Atividade 5
Viabilidade do Projeto Atlas: VPL, TIR, payback e IL
salas simultâneas, 20 minutos, mais 10 minutos de plenária
Objetivo
Avaliar a viabilidade econômico-financeira do projeto com fluxo de caixa incremental e comparar alternativas mutuamente exclusivas.
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil. O investimento é o orçamento total aprovado na Atividade 3 (R$ 1.830 mil). A taxa mínima de atratividade (TMA) da empresa é de 12% ao ano. Por simplificação, o investimento é tratado no ano 0. Os fluxos estão em moeda constante, e a TMA é real. A alternativa B é uma versão de escopo reduzido (só o WMS em nuvem, sem esteiras), mutuamente exclusiva em relação ao Atlas completo.
Dados
R$ mil
Ano 0
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Investimento (orçamento)
-1.830
Economias operacionais
540
680
720
720
720
Opex incremental
-140
-140
-140
-140
-140
Valor residual
150
Fluxo líquido do Atlas
Alternativa B (fluxo líquido)
-700
230
230
230
230
230
Funções do Excel em português
=VPL(taxa; fluxos dos anos 1 a n) + fluxo do ano 0; =TIR(fluxos); =MTIR(fluxos; taxa de financiamento; taxa de reinvestimento).
Tarefas
Calculem o fluxo líquido do Atlas.
Calculem, para o Atlas, o VPL a 12%, a TIR, a TIRM (financiamento e reinvestimento a 12%), o payback simples, o payback descontado e o índice de lucratividade (IL).
Calculem o VPL, a TIR e o IL da alternativa B.
Se as alternativas forem mutuamente exclusivas e não houver restrição de capital, qual o grupo escolheria? E se houvesse restrição de capital?
A TIR de B é maior que a do Atlas. Isso decide a escolha? Expliquem com o fluxo incremental (Atlas − B).
Ver o modelo de resposta do arquivo
Indicador
Atlas
Alternativa B
VPL a 12% (R$ mil)
TIR
TIRM
Payback simples (anos)
Payback descontado (anos)
Índice de lucratividade
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Referências
Casarotto Filho, N., & Kopittke, B. H. (2020). Análise de investimentos: Manual para solução de problemas e tomadas de decisão (12. ed.). Atlas.
Assaf Neto, A. (2020). Finanças corporativas e valor (8. ed.). Atlas.
salas simultâneas, 20 minutos, mais 10 minutos de plenária
Objetivo
Identificar as variáveis críticas da viabilidade, medir a folga de cada alternativa e traduzir a incerteza em uma recomendação ao comitê.
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil. Em aula, vimos a sensibilidade do Atlas (VPL-base de R$ 153,3 mil): elasticidades de 15,68 nas economias e -11,94 no investimento; valores de inflexão de +8,4% no investimento e -6,4% nas economias. Agora o grupo fará a mesma análise para a alternativa B.
Dados da alternativa B
Dado
Valor
Investimento no ano 0
R$ 700 mil
Economias operacionais
R$ 330 mil por ano, anos 1 a 5
Opex incremental
R$ 100 mil por ano, anos 1 a 5
Valor residual
não há
TMA
12% ao ano
Critério do Guia ACB: uma variável é crítica quando a variação de 1% no seu valor altera o VPL em mais de 1%, isto é, quando o módulo da elasticidade é maior que 1. Elasticidade = Δ% do VPL ÷ Δ% da variável. Valor de inflexão: o valor da variável que torna o VPL igual a zero (Atingir Meta, no Excel).
Tarefas
Calculem o VPL de B com −10% e +10% no investimento, nas economias e no Opex.
Calculem as elasticidades de B. Quais variáveis são críticas?
Encontrem os valores de inflexão do investimento e das economias de B.
Comparem com o Atlas. Qual alternativa tem mais folga? O que isso significa para o comitê?
A simulação de Monte Carlo do Atlas indicou P(VPL < 0) = 60,9%, e o VPL do Atlas com a EAC do mês 4 é de R$ -8,3 mil. O que o grupo recomenda ao comitê: continuar, continuar com condições ou reformular?
Ver o modelo de resposta do arquivo
Variável de B
VPL com −10%
VPL com +10%
Elasticidade
Crítica?
Inflexão
Investimento
Economias operacionais
Opex incremental
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Project Management Institute. (2025). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® guide) – Eighth edition and The standard for project management. Project Management Institute.
Atividade 7
Caso integrador: o Projeto Atlas sob a visão externa
salas simultâneas, 25 minutos, mais 20 minutos de plenária
Objetivo
Integrar estimativa, controle e viabilidade numa recomendação ao comitê, com a estimativa ancorada em projetos semelhantes (visão externa).
Contexto
O Projeto Atlas é um caso didático fictício usado nas quatro aulas. Uma distribuidora com dois centros de distribuição (CDs) vai implantar um sistema de gestão de armazém (WMS), coletores de dados e esteiras em 8 meses, para reduzir custos de operação, erros de separação e devoluções. Valores em R$ mil. Antes de aprovar a segunda fase de compras, o comitê pede uma revisão independente do business case com a visão externa. Cada grupo entrega uma recomendação de uma página, com critério de decisão explícito.
17%, ordem de grandeza citada pelo Guia ACB para infraestrutura
Alternativa B (escopo reduzido)
Investimento de R$ 700 mil; fluxo líquido de R$ 230 mil por ano; VPL de R$ 129,1 mil
Razão custo real ÷ custo estimado em 20 projetos de automação anteriores da empresa (os percentis acima seguem o método de PERCENTIL.INC, do Excel):
Projeto
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Real ÷ estimado
0,96
1,00
1,02
1,05
1,07
1,08
1,10
1,11
1,12
1,12
Projeto
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Real ÷ estimado
1,15
1,18
1,22
1,25
1,30
1,34
1,38
1,45
1,60
1,85
Premissas do piloto (árvore de decisão)
Alternativa 1, tudo agora: investir nos dois CDs no ano 0, com o custo no P50 da classe de referência. Alternativa 2, piloto: investir metade no ano 0 em um CD; se o piloto confirmar as economias (estado bom, probabilidade de 60%), investir a outra metade no ano 1, 10% mais barata pelo aprendizado, com benefícios do segundo CD a partir do ano 2 (mesma rampa do primeiro CD) e metade do valor residual no ano 5; no estado ruim (40%), as economias ficam em 75% do previsto e a empresa não expande. Cada CD responde por metade das economias, do Opex e do valor residual do Atlas.
Tarefas
Recalculem o VPL do Atlas com o investimento no P50 e no P80 da classe de referência.
Recalculem o VPL no P80 com benefícios 17% menores.
Comparem implantar tudo agora com o piloto, pela árvore de decisão. Qual é o valor da flexibilidade?
Avaliem a alternativa B com a mesma classe de referência (P50 e P80).
Recomendem ao comitê: aprovar, reformular ou cancelar. Declarem o critério (por exemplo, VPL positivo no P50 ou no P80).
Ver o modelo de resposta do arquivo
Cenário
Investimento (R$ mil)
VPL (R$ mil)
Atlas no P50 da classe de referência
Atlas no P80 da classe de referência
Atlas no P80, com benefícios 17% menores
Atlas: tudo agora (valor esperado)
Atlas: piloto em 1 CD (valor esperado)
Alternativa B no P50
Alternativa B no P80
Entrega: um integrante posta este arquivo preenchido no AVA, com o nome de todos os participantes do grupo.
Estrutura da árvore de decisão. Os valores são o que o grupo calcula.
Flyvbjerg, B., & Gardner, D. (2023). Como fazer grandes coisas. Citadel.
Casos reais
O que os projetos reais ensinam
Sobrecustos, atrasos e dois casos de sucesso, com fontes oficiais, acadêmicas e de imprensa.
Custo final dividido pelo estimado, em escala logarítmica. Valores nominais, de datas e bases diferentes; Berlim e a Transposição usam valores de imprensa. A comparação é ilustrativa e não substitui a leitura de cada caso.
Aula 1BrasilSobrecusto e atraso
Obras paralisadas com recursos federais (TCU)
37,5%obras paralisadas (2019)
R$ 10 bijá aplicados
50,7%paralisadas em abr/2025
Lição para o projeto: Projeto básico deficiente e baixa capacidade de gestão travam o capital antes de qualquer benefício.
Em 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisou 38.412 obras financiadas com recursos federais e identificou 14.403 paralisadas (37,5%), com R$ 144,3 bilhões previstos e cerca de R$ 10 bilhões já aplicados (Tribunal de Contas da União [TCU], 2019a; Agência Senado, 2022). Na amostra do PAC, as causas foram técnicas (47%), abandono pela empresa (23%) e orçamentárias ou financeiras (10%). Após vistorias, o tribunal destacou projeto básico deficiente, falta de contrapartida de estados e municípios e baixa capacidade de gestão dos entes subnacionais.
O monitoramento posterior do TCU registrou 41% de obras paralisadas em 2023, 52% em dezembro de 2024 e 50,7% em abril de 2025 (TCU, 2025). As bases de 2019 (cerca de 38 mil contratos) e de 2023 a 2025 (21 a 23 mil obras) são diferentes, o que limita a comparação direta. A leitura para a disciplina: capital aplicado em obra parada é custo de oportunidade, porque fica imobilizado sem gerar benefício.
Aula 2InternacionalSobrecusto e atraso
Sydney Opera House
A$ 7 micompromisso de 1957
A$ 102 micusto final
10 anosde atraso
Lição para o projeto: Começar a obra antes de o projeto estar maduro transforma a estimativa em promessa política.
Em julho de 1957, o governo de Nova Gales do Sul comprometeu A$ 7 milhões, com conclusão prevista para dezembro de 1963. A obra começou em 1959, antes de desenhos e financiamento completos, e o edifício foi inaugurado em 20 de outubro de 1973, dez anos depois do previsto, ao custo de A$ 102 milhões (National Museum of Australia, s.d.). Flyvbjerg et al. (2009) descrevem o orçamento como político e subestimado para obter aprovação. Atenção à aritmética: 102 ÷ 7 = 14,6 vezes, cerca de 1.357% acima do orçamento, e não os 1.400% citados com frequência. Há contrapontos: Kim Utzon, citado no mesmo artigo, afirma que o orçamento divulgado era um oitavo do real; Flyvbjerg (2014) registra que, em retrospecto, os australianos não se arrependem da obra.
Aula 2InternacionalVisão externa
Bonde de Edimburgo
£ 400 miP80 da revisão de 2004
£ 835,7 micusto comparável (inquérito)
£ 207,3 miextensão entregue no orçamento
Lição para o projeto: A classe de referência precisa ser a correta; quando foi, a extensão terminou dentro do orçamento.
Flyvbjerg (2006) descreve o business case de 2004 da Linha 2: custo-base de £255 milhões, com cerca de £320 milhões após o acréscimo de 25% do promotor. A revisão independente aplicou os acréscimos do Departamento de Transportes britânico para projetos ferroviários: 40% para o P50 (£357 milhões) e 57% para o P80 (£400 milhões). O que foi construído foi a linha 1a, encurtada, aberta em 31 de maio de 2014 com orçamento revisto de £776 milhões. O inquérito presidido por Lord Hardie, cujo relatório de setembro de 2023 é respondido pelo Conselho de Edimburgo, estimou o custo comparável em £835,7 milhões, apontou que em 2005 foi escolhida uma classe de referência incorreta, que a gestão de risco foi otimista demais e que a relação benefício-custo ficou abaixo de 1. Duas recomendações tratam desta aula: considerar o viés de otimismo em todo business case e usar previsões probabilísticas em vez de pontuais. A extensão até Newhaven usou previsão por classe de referência e foi aberta em 7 de junho de 2023 dentro do orçamento de £207,3 milhões (City of Edinburgh Council, 2023).
Aula 2InternacionalLinha de base
Jogos de Londres 2012
≈ £ 4 bicandidatura
£ 9,325 bipacote de 2007
£ 8,77 bicusto final previsto
Lição para o projeto: Dentro do orçamento ou 76% acima: a resposta depende da linha de base escolhida.
A candidatura estimou o custo bruto em pouco mais de £4 bilhões. Em março de 2007, o governo definiu um pacote público de £9,325 bilhões, que incluía £2,747 bilhões de contingência ausente na candidatura. Em julho de 2013, o governo anunciou custo final previsto de £8,77 bilhões, £528 milhões abaixo do pacote (Department for Culture, Media and Sport, 2013); o National Audit Office (2012) avaliou que a construção terminou no prazo e no orçamento. Já o Oxford Olympics Study, que compara com o orçamento da candidatura em termos reais, registra sobrecusto de 76% (Flyvbjerg et al., 2016). Os dois números são verdadeiros; a diferença está na linha de base escolhida.
Aula 4BrasilSobrecusto e governança
Refinaria Abreu e Lima (RNEST)
US$ 2,4 biPortão 1 (2005)
US$ 20,1 bicusto atualizado
−1,9 → +0,08VPL após mudar premissas (US$ bi)
Lição para o projeto: Premissas da análise precisam de dono, documentação e revisão independente.
Segundo o TCU (2021), a Petrobras aprovou a RNEST no Portão 1 (setembro de 2005) com investimento estimado em US$ 2,4 bilhões e conclusão prevista para 2011; o custo chegou a US$ 20,1 bilhões. O Trem 1 começou a operar em dezembro de 2014 (Petróleo Brasileiro S.A., 2016), e o Trem 2 foi paralisado em fevereiro de 2015, com cerca de 82% de execução física. O TCU constatou que o projeto atravessou os portões de decisão com VPL negativo e que premissas foram alteradas (TMA de 10,3% para 9,6%; vida útil de 25 anos para perpetuidade; incentivos fiscais ainda não aprovados), o que levou o VPL de −US$ 1,9 bilhão para +US$ 0,08 bilhão. Cerca de 400 aditivos nos 33 principais contratos foram atribuídos à imprecisão dos projetos (TCU, 2015). A versão do ex-presidente Sérgio Gabrielli atribui parte do aumento à adaptação ao terreno, a obras externas no porto de Suape e ao câmbio (Folha Vitória, 2014). O caso mostra que o valor de inflexão também pode ser cruzado ao contrário, por mudança de premissas; por isso as premissas precisam de dono, documentação e revisão independente.
Aula 4BrasilSobrecusto e escopo
Estádio Nacional Mané Garrincha
R$ 745,3 miMatriz de 2010
R$ 1.403,3 mibalanço de 2014
24aditivos
Lição para o projeto: Escopo incompleto no edital volta como aditivo.
A Matriz de Responsabilidades de 2010 previa R$ 745,3 milhões; o balanço final do Governo Federal (2014) registrou R$ 1.403,3 milhões (+88,3%). Carvalho et al. (2018), com dados do TCDF, apontam 24 aditivos que somaram 67,9% do contrato principal e itens como cobertura, assentos e gramado licitados fora do edital. As 12 arenas da Copa passaram de cerca de R$ 5,3 a 5,4 bilhões para R$ 8,38 bilhões.
Aula 4BrasilSobrecusto e atraso
Transposição do São Francisco (PISF)
≈ R$ 4,5 bi2007 (imprensa)
R$ 8,23 biorçamento em 2014
2020água no Ceará
Lição para o projeto: Projeto básico deficiente compromete custo e prazo de toda a obra.
A imprensa divulgou em 2007 custo de cerca de R$ 4,5 bilhões; não foi localizada fonte oficial para esse valor. Em outubro de 2014, o orçamento total era de R$ 8,23 bilhões, segundo o Ministério da Integração citado pelo Senado Federal (2014). O TCU apontou projeto básico deficiente, sobrepreço e atraso (TCU, 2022).
Aula 4BrasilObra paralisada
VLT de Cuiabá
≈ R$ 1,5 bicontrato
≈ R$ 1 bigastos até a paralisação
2014obra parada
Lição para o projeto: Comprar antes de ter projeto deixa ativos sem uso e capital imobilizado.
Contrato de cerca de R$ 1,5 bilhão, com cerca de R$ 1 bilhão gasto até a paralisação, em dezembro de 2014. O TCU (2019b) citou compras em descompasso com a obra e escassez de projetos. A troca por BRT anunciada em 2020 teve o contrato rescindido em 2025 (Folhapress, 2025).
Aula 4InternacionalSobrecusto e atraso
Aeroporto de Berlim (BER)
≈ € 2,4 biorçamento de 2004
9 anosde atraso
€ 6 a 7 bicusto final (imprensa)
Lição para o projeto: Mudar o projeto durante a obra é a forma mais cara de mudar de ideia.
Em 2004, o orçamento total foi fixado em cerca de €2,4 bilhões. A inauguração prevista para 30 de outubro de 2011 foi cancelada, assim como a de 3 de junho de 2012; o aeroporto abriu em 31 de outubro de 2020 (Associated Press, 2020). A imprensa estima o custo final entre €6 e €7 bilhões; não há valor oficial consolidado. A comissão de inquérito do Parlamento de Berlim apontou alterações de projeto pedidas pelo dono da obra, falhas no planejamento das instalações técnicas e informação deficiente, inclusive enganosa, ao conselho (Abgeordnetenhaus von Berlin, 2016).
Aula 4InternacionalCauda pesada
Projetos de TI
1.471projetos analisados
27%sobrecusto médio
1 em 6com sobrecusto médio de 200%
Lição para o projeto: Em TI a média engana: teste a decisão contra a cauda da distribuição.
Flyvbjerg e Budzier (2011) analisaram 1.471 projetos de TI: o sobrecusto médio foi de 27%, mas um em cada seis teve sobrecusto médio de 200% e atraso de quase 70%. A pesquisa da McKinsey com a Universidade de Oxford sobre mais de 5.400 projetos registra que projetos acima de US$ 15 milhões estouraram o orçamento em 45%, atrasaram 7% e entregaram 56% menos valor que o previsto (Bloch et al., 2012). Um WMS é um projeto de TI: em projetos com essa distribuição, a média engana, e a decisão deve ser testada contra a cauda.
Aula 4InternacionalSucesso
Casos de sucesso
410 diasconstrução do Empire State
US$ 40,9 micusto, contra US$ 50 mi
131 kmde metrô em Madri, 1995-2003
Lição para o projeto: Planejar devagar, padronizar e executar rápido reduz a exposição ao risco.
O Empire State Building tinha orçamento de US$ 50 milhões, segundo Flyvbjerg e Gardner (2023), e custou US$ 40.948.900 (Christianson & Heller, 2015); foi construído em 410 dias e aberto em 1.º de maio de 1931, na data marcada. Uma fonte cita orçamento de US$ 60 milhões, e o efeito da deflação da Grande Depressão no custo não foi verificado. O metrô de Madri construiu 131 km e 76 estações entre 1995 e 2003, em duas etapas de quatro anos; Flyvbjerg (2021) atribui o desempenho a estações padronizadas, tecnologia comprovada e até seis tuneladoras trabalhando ao mesmo tempo, e Hopkinson (2024) atribui parte da economia a fatores institucionais, como licenciamento simplificado e equipe técnica interna. Segundo Flyvbjerg e Gardner (2023), o princípio comum aos dois casos é planejar devagar e executar rápido.
Simuladores
Teste os conceitos com seus números
Os valores iniciais são exemplos ilustrativos. Troque por dados do seu projeto e veja os indicadores mudarem na hora.
Três pontos e P80
Valores em R$ mil. Pacotes independentes; distribuição beta-PERT por pacote e aproximação normal para o total (Aula 2).
Pacote
O
M
P
E
σ
Valor agregado e prazo agregado
Informe o PV acumulado de cada período, separado por ponto e vírgula, e o EV e o AC na data de status (Aulas 2 e 3).
VPL, TIR e sensibilidade
Fluxo do ano 0 ao ano n, separado por ponto e vírgula (investimento com sinal negativo). TIRM com financiamento e reinvestimento à TMA (Aula 3).
Glossário
68 termos da disciplina
Definições curtas, com a aula em que cada termo aparece.
AC (custo real)
Custo incorrido no trabalho concluído até a data de status. Aula 2
Análise custo-benefício (ACB)
Método quantitativo de avaliação de projetos sob a perspectiva do bem-estar social, com preços sociais e externalidades (Guia ACB). Aula 4
BAC (orçamento no término)
Valor total da linha de base de custos; no Atlas, inclui a reserva de contingência. Aula 2
Business case
Documento que justifica o investimento: custos, benefícios, riscos e premissas que sustentam a decisão de aprovar. Aula 4
Capex
Gastos de capital que adquirem, ampliam ou mantêm ativos; são ativados e reconhecidos no resultado ao longo da vida útil. Aula 1
Classe de estimativa (AACE)
Classificação de 5 a 1 conforme a maturidade da definição do projeto, com faixas de precisão que se estreitam até a Classe 1. Aula 1
Classe de referência
Conjunto de projetos anteriores semelhantes usado para ancorar a estimativa na distribuição de resultados reais. Aula 2
CPI (índice de desempenho de custo)
EV ÷ AC. Acima de 1, o projeto entrega mais trabalho do que gasta. Aula 2
Curva S
Linha de base de custos acumulada no tempo: lenta no início, acelerada no meio e lenta no fim. Aula 2
Custo
Gasto com bens e serviços usados na produção de outros bens e serviços (Martins, 2018). Aula 1
Custo de oportunidade
Valor da melhor alternativa abandonada ao usar um recurso no projeto, como um galpão próprio que poderia ser alugado. Aula 1
Custo direto
Custo identificável com o pacote de trabalho sem necessidade de rateio. Aula 1
Custo fixo
Custo que não varia com o volume de trabalho no período. Aula 1
Custo indireto
Custo compartilhado entre projetos ou áreas, alocado por um critério de rateio. Aula 1
Custo irrecuperável
Gasto já feito que nenhuma decisão futura recupera; não entra na comparação entre alternativas. Aula 1
Custo variável
Custo que acompanha a quantidade de trabalho: horas, unidades, metros quadrados, docas. Aula 1
CV (variação de custo)
EV − AC. Negativo indica custo acima do planejado para o trabalho feito. Aula 2
Desembolso
Pagamento, que pode ocorrer antes, durante ou depois do gasto (Martins, 2018). Aula 1
Despesa
Consumo de bens e serviços para obter receitas (Martins, 2018). Aula 1
Deturpação estratégica
Subestimação deliberada de custos e superestimação de benefícios para obter a aprovação (Flyvbjerg, 2006). Aula 1
EAC (estimativa no término)
Previsão do custo total. Cada fórmula expressa uma hipótese: desvio atípico, desempenho de custo mantido ou custo e prazo combinados. Aula 2
Elasticidade
Variação percentual do VPL dividida pela variação percentual da variável. Acima de 1 em módulo, a variável é crítica pelo Guia ACB. Aula 4
ES (prazo agregado)
Tempo em que o valor agregado atual deveria ter sido alcançado segundo a linha de base (Lipke, 2003). Aula 3
Estimativa análoga
Estimativa a partir de um projeto anterior semelhante; usada quando há pouca informação. Aula 1
Estimativa bottom-up
Soma das estimativas dos pacotes de trabalho da EAP; exige escopo detalhado. Aula 1
Estimativa de três pontos (PERT)
Usa valores otimista, mais provável e pessimista; na beta-PERT, E = (O + 4M + P) ÷ 6. Aula 2
Estimativa paramétrica
Estimativa por relação estatística, como reais por unidade, com dados de projetos comparáveis. Aula 1
Orçamento do trabalho efetivamente concluído até a data de status. Aula 2
Fluxo de caixa incremental
Cenário com o projeto menos cenário base, sem o projeto; base de VPL, TIR, payback e IL. Aula 3
Gasto
Aquisição que gera sacrifício financeiro para a entidade (Martins, 2018). Aula 1
IEAC(t)
Previsão de duração pelo prazo agregado: duração planejada ÷ SPI(t). Aula 3
Investimento
Gasto ativado pela vida útil ou pelos benefícios futuros que gera (Martins, 2018). Aula 1
Linha de base de custos
Orçamento aprovado e distribuído no tempo, usado como referência de controle (PMI, 2025). Aula 2
Matriz de riscos
Combinação de classes de probabilidade (A a E) e níveis de severidade (I a V) para priorizar eventos adversos. Aula 4
Opex
Custos recorrentes de operar o negócio; vão ao resultado do período em que ocorrem. Aula 1
Orçamento
Estimativas mais reservas, conforme a política da organização; no cenário implícito, inclui a reserva gerencial. Aula 2
P50 e P80
Valores com 50% e 80% de probabilidade de não serem ultrapassados. Aula 2
Payback
Tempo até o fluxo acumulado ficar positivo. O descontado usa fluxos descontados à TMA. Aula 3
Perda
Consumo anormal e involuntário de bens ou serviços (Martins, 2018). Aula 1
Pontos de história
Medida relativa de esforço usada por uma equipe ágil; não se compara entre equipes. Aula 3
PV (valor planejado)
Orçamento autorizado do trabalho programado até a data de status. Aula 2
Realização de benefícios
Gestão para que os produtos do projeto gerem os resultados e benefícios previstos depois da entrega. Aula 4
Reserva de contingência
Valor para riscos identificados com resposta ativa; em geral fica dentro da linha de base. Aula 2
Reserva gerencial
Valor para trabalho imprevisto dentro do escopo; fica fora da linha de base e é liberado pela alta gestão. Aula 2
Simulação de Monte Carlo
Sorteio de milhares de combinações das variáveis incertas para obter a distribuição do resultado, como o VPL. Aula 4
SPI (índice de desempenho de prazo)
EV ÷ PV. Tende a 1,0 no fim de projetos atrasados, o que limita seu uso no terço final. Aula 2
SPI(t)
ES ÷ AT: desempenho de prazo em unidades de tempo. Aula 3
SV (variação de prazo)
EV − PV, medida em reais. Negativo indica atraso. Aula 2
SV(t)
ES − AT: variação de prazo em unidades de tempo. Aula 3
Taxa de Fisher
Taxa em que os VPLs de duas alternativas se igualam; é a TIR do fluxo incremental entre elas. Aula 3
Taxa social de desconto
Taxa usada na análise socioeconômica; o Guia ACB, versão 3, adota 8,5% ao ano, real. Aula 4
TCO (custo total de propriedade)
Soma de Capex de implantação, reposições, Opex na vida útil e desativação, menos o valor residual. Aula 1
TCPI
(BAC − EV) ÷ (BAC − AC): desempenho de custo necessário no trabalho restante para terminar no BAC. Aula 2
TIR
Taxa que zera o VPL; aceita-se o projeto quando supera a TMA. Aula 3
TIRM
Variante da TIR que reinveste as entradas e financia as saídas a taxas definidas pela empresa. Aula 3
TMA (taxa mínima de atratividade)
Retorno mínimo exigido pela empresa; em geral, o WACC acrescido de um prêmio pelo risco do projeto. Aula 3
VAC (variação no término)
BAC − EAC: estouro ou economia previstos no fim do projeto. Aula 2
Valor da flexibilidade
Diferença de valor esperado entre decidir em etapas (por exemplo, um piloto) e decidir tudo agora. Aula 4
Valor de inflexão
Valor que uma variável precisaria atingir para o VPL ser zero. Aula 4
Valor monetário esperado (VME)
Probabilidade × impacto de um risco ou oportunidade; a soma dimensiona a contingência. Aula 2
Visão externa
Estimativa ancorada em dados de projetos semelhantes, em oposição à visão interna, construída a partir dos detalhes do projeto. Aula 2
Viés de otimismo
Tendência a subestimar custos e prazos e superestimar benefícios ao olhar só o próprio projeto. Aula 1
VPL (valor presente líquido)
Soma dos fluxos descontados à TMA. Positivo, cria valor acima da TMA. Aula 3
WACC
Custo médio ponderado de capital próprio e de terceiros, com o benefício fiscal da dívida. Aula 3
Árvore de decisão
Representação de decisões e incertezas em sequência; o valor de cada ramo é o valor esperado dos seus resultados. Aula 4
Índice de lucratividade (IL)
Valor presente das entradas dividido pelo investimento; IL acima de 1 equivale a VPL positivo. Aula 3
ΔVSPL
Valor socioeconômico presente líquido do cenário incremental; equivale ao VPL na análise do Guia ACB. Aula 4
Pontes para o Conhecimento
16 materiais abertos para aprofundar
Podcasts, vídeos, guias e artigos de acesso aberto, organizados pela aula em que o tema aparece. Curadoria verificada em outubro de 2026.
Aula 1 | 09/11 | Custos de projetos e técnicas de estimativa
Guia
Cost Estimating and Assessment Guide (GAO)
Guia do Government Accountability Office (GAO), órgão de auditoria do Congresso dos Estados Unidos, que organiza a estimativa de custos em 12 etapas, da definição do propósito até a atualização da estimativa.
O capítulo 2 distingue os tipos de estimativa, entre eles a de custo do ciclo de vida (Aula 1). As etapas 7 a 9 tratam da estimativa pontual, da análise de sensibilidade e da análise de risco e incerteza (Aula 2). Os capítulos 17 a 20 tratam do gerenciamento do valor agregado (Aulas 2 e 3). Recomenda-se leitura seletiva, por capítulo.
guia técnico em PDF, 476 p., em inglês; acesso aberto.
U.S. Government Accountability Office. (2020). Cost estimating and assessment guide: Best practices for developing and managing program costs (GAO-20-195G). https://www.gao.gov/products/gao-20-195g
Guia
Orientações para elaboração de planilhas orçamentárias de obras públicas (TCU)
Guia do Tribunal de Contas da União sobre a composição do orçamento de obras: custos diretos, BDI (benefícios e despesas indiretas) e uso de referenciais de preço, como o Sinapi. Mostra, num setor regulado, a separação entre custos diretos e indiretos discutida na Aula 1.
Atenção: o guia é anterior à Lei 14.133/2021, a nova lei de licitações; use-o pela lógica de composição de custos, e não como referência normativa atual.
From Nobel Prize to project management: Getting risks right
O autor atribui os erros sistemáticos de previsão de custo e de demanda em grandes projetos ao viés de otimismo e à deturpação estratégica. Com base nas teorias de decisão sob incerteza reconhecidas pelo Nobel de Economia de 2002, apresenta a previsão por classe de referência, que estima o custo de um projeto a partir dos resultados reais de projetos semelhantes.
O texto relata a primeira aplicação prática do método, em previsões de custo de grandes projetos de infraestrutura de transporte, e usa o bonde de Edimburgo, discutido em aula, como exemplo. Prepara o caso integrador da Aula 4.
artigo científico, 11 p. na revista (32 p. no preprint), em inglês; acesso aberto pela versão do arXiv.
Episódio curto de Ricardo Vargas sobre a diferença entre a reserva de contingência e a reserva gerencial, tema da Atividade 3. Ouça antes da aula ou como revisão da composição do orçamento.
episódio de podcast, 5 min 22 s, em português; acesso aberto.
Aula 3 | 16/11 | Prazo agregado, custos em ágil, IA na estimativa e viabilidade financeira
Podcast
Porque o valor agregado ainda importa, mesmo na era da IA
Ricardo Vargas argumenta que a análise de valor agregado continua válida quando ferramentas de IA automatizam a coleta de dados e as previsões. Ele usa o CPI e o TCPI para mostrar que o cálculo pode ser automatizado, mas a interpretação e a decisão continuam com o gestor. O episódio termina com o anúncio de um curso do autor.
episódio de podcast, 3 min 31 s, em português (há versão em vídeo no canal oficial do autor); acesso aberto.
O criador do método apresenta o prazo agregado (earned schedule), extensão do valor agregado que mede o desempenho de prazo em unidades de tempo. Define o SPI(t), o TSPI e a previsão de duração IEAC(t) = PD / SPI(t), com previsões estatísticas e intervalos de confiança. Leia depois da Atividade 4.
Methods and metrics for estimating and planning agile software projects
Artigo de autoras da Universidade de Brasília que combina uma revisão sistemática sobre estimativas em projetos ágeis com um estudo de caso em uma fábrica de software. A revisão aponta pontos de história e pontos de função como as métricas de tamanho mais usadas para estimar esforço, prazo e custo; o estudo de caso compara as estimativas com os valores realizados.
artigo de conferência, 10 p., em inglês; acesso aberto (cópia autorizada no repositório da UnB).
Review of machine learning and artificial intelligence use for cost estimation in construction projects
Revisão sistemática (PRISMA) de 75 publicações sobre aprendizado de máquina e IA na estimativa de custos de obras, com análise das fontes de dados, das características dos projetos e dos modelos preditivos. Por ser um artigo de conferência, serve como mapa da literatura, e não como evidência sobre a acurácia dos modelos.
artigo de conferência, 8 p., em inglês; acesso aberto.
Sadikoglu, E., & Demirkesen, S. (2025). Review of machine learning and artificial intelligence use for cost estimation in construction projects. In Proceedings of the 2025 European Conference on Computing in Construction. European Council for Computing in Construction. https://doi.org/10.35490/EC3.2025.363
Vídeo e dados
Custo de capital: vídeo e bases de dados de Aswath Damodaran
No vídeo, Damodaran (NYU Stern) explica como estima o custo do capital próprio, o custo da dívida e o WACC nas suas bases de dados. As páginas de dados trazem o WACC por setor nos Estados Unidos e os prêmios de risco por país, com o Brasil incluído.
Use na definição da taxa de desconto do VPL e para entender por que dados dos Estados Unidos exigem ajuste ao risco-país. Os valores mudam a cada atualização: registre a data da consulta.
vídeo e conjuntos de dados, em inglês; acesso aberto.
Aula 4 | 17/11 | Risco na viabilidade, análise custo-benefício, benefícios e sobrecustos
Guia
Guia geral de análise socioeconômica de custo-benefício (Guia ACB, versão 3)
Guia federal que define o método de análise custo-benefício para projetos de infraestrutura: custos e benefícios econômicos, externalidades e preços-sombra; indicadores de viabilidade (valor socioeconômico presente líquido, taxa de retorno econômica e relação benefício-custo); taxa social de desconto de 8,5% ao ano, real (valor da versão 3).
Trata também de sensibilidade, cenários, análise probabilística de risco e análise distributiva. É a base da Atividade Prévia e das Aulas 3 e 4.
guia oficial em PDF, 169 p., em português; acesso aberto (reprodução permitida sem alteração, com citação da fonte e sem fins comerciais).
Segundo a descrição do canal oficial da Fipe, é uma entrevista com o Prof. Sérgio Almeida (FEA-USP) sobre análise custo-benefício. Serve como introdução em português antes da leitura do Guia ACB.
How big things get done: A conversation with Professor Bent Flyvbjerg
Conversa organizada em 2023 pela Sydney Business Insights, da University of Sydney Business School. Flyvbjerg discute por que projetos grandes e pequenos falham e quais princípios ajudam no sucesso, com base no livro escrito com Dan Gardner (edição brasileira: Como fazer grandes coisas). Retoma a previsão por classe de referência e o princípio de planejar devagar e executar rápido, vistos nos casos de sucesso da Aula 4.
vídeo, em inglês; acesso aberto.
Sydney Executive Plus. (2023, 26 de março). How big things get done: A conversation with Professor Bent Flyvbjerg [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=OiuHQQAgaFE
Artigo
Delivering large-scale IT projects on time, on budget, and on value
Resume a pesquisa da McKinsey com a Universidade de Oxford sobre mais de 5.400 projetos de TI. Projetos acima de US$ 15 milhões excederam o orçamento em 45%, em média, atrasaram 7% e entregaram 56% menos valor que o previsto; cada ano adicional de duração elevou o sobrecusto em 15%. Útil para quem trabalha com projetos de tecnologia, como o WMS do Projeto Atlas.
artigo web, em inglês; acesso aberto, sem cadastro.
Os autores analisam 2.178 obras de instituições federais de ensino superior entre 2004 e 2014. Cerca de 69% das obras atrasaram e 62% ultrapassaram o custo previsto; os aditivos de custo somaram cerca de R$ 637 milhões. As causas principais foram alterações de projeto e acréscimo de escopo. É evidência brasileira para o debate sobre sobrecustos da Aula 4.
artigo científico, 20 p., em português; acesso aberto (CC BY 4.0).
Alvarenga, F. C., Maués, L. M. F., Santos Júnior, P. C. dos, & Macedo, A. N. (2021). Alterações de custo e prazo em obras públicas. Ambiente Construído, 21(1), 161–180. https://doi.org/10.1590/s1678-86212021000100500
Artigo
Five things you should know about cost overrun
Este é o lado de Flyvbjerg e coautores no debate com Love e Ahiaga-Dagbui (2018), que contestaram a explicação dos sobrecustos por viés de otimismo e deturpação estratégica. Os autores propõem cinco princípios: medição consistente, dados completos, distribuições de cauda grossa, viés comportamental como causa raiz e correção do viés pela classe de referência. Ao ler, lembre que a crítica original não está em acesso aberto.
artigo científico, 17 p. na revista (26 p. no manuscrito aceito), em inglês; acesso aberto pelo manuscrito aceito no repositório da Universidade de Oxford.
A mão escondida: e se subestimar o projeto for uma coisa boa?
Vargas contrapõe o princípio da mão escondida, de Hirschman, à mão escondida malévola descrita por Flyvbjerg e Sunstein, e cita estudo de Ika com o padrão oposto em projetos de desenvolvimento. Propõe separar dois momentos: na decisão de iniciar, o otimismo é risco; na execução, confiança e adaptação ajudam. Complementa o artigo anterior no debate da Aula 4.
episódio de podcast, 6 min 23 s, em português; acesso aberto.
Lista em APA (7.ª edição) das obras citadas nas aulas, nos casos e nas atividades.
AACE International. (2020). Cost estimate classification system: As applied in engineering, procurement, and construction for the process industries (Recommended Practice 18R-97). https://pathlms.com/aace/courses/2928/documents/3803
Abgeordnetenhaus von Berlin. (2016). Bericht des 1. Untersuchungsausschusses zur Aufklärung der Ursachen, Konsequenzen und Verantwortung für die Kosten- und Terminüberschreitungen des Flughafens Berlin Brandenburg Willy Brandt (BER) (Drucksache 17/3000). https://parlament-berlin.de/media/download/1784
Al-Shihabi, S. (2026). Artificial intelligence in preconstruction cost estimation: A systematic review. Buildings, 16(15), Artigo 3050. https://doi.org/10.3390/buildings16153050
Alvarenga, F. C., Maués, L. M. F., Santos Júnior, P. C. dos, & Macedo, A. N. (2021). Alterações de custo e prazo em obras públicas. Ambiente Construído, 21(1), 161–180. https://doi.org/10.1590/s1678-86212021000100500
Assaf Neto, A. (2020). Finanças corporativas e valor (8. ed.). Atlas.
Batselier, J., & Vanhoucke, M. (2015). Evaluation of deterministic state-of-the-art forecasting approaches for project duration based on earned value management. International Journal of Project Management, 33(7), 1588–1596. https://doi.org/10.1016/j.ijproman.2015.04.003
Carvalho, L. C. S., Souza, C. A. de, Batista, C. P., Dalfior, V. A. O., & Cardoso, G. C. C. (2018). Gerenciamento de custos em projetos da Copa do Mundo: Um estudo de caso do Estádio Mané Garrincha [Trabalho apresentado]. SEGeT, Resende, RJ. https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos18/582683.pdf
Casarotto Filho, N., & Kopittke, B. H. (2020). Análise de investimentos: Manual para solução de problemas e tomadas de decisão (12. ed.). Atlas.
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Flyvbjerg, B., Ansar, A., Budzier, A., Buhl, S., Cantarelli, C., Garbuio, M., Glenting, C., Holm, M. S., Lovallo, D., Lunn, D., Molin, E., Rønnest, A., Stewart, A., & van Wee, B. (2018). Five things you should know about cost overrun. Transportation Research Part A: Policy and Practice, 118, 174–190. https://doi.org/10.1016/j.tra.2018.07.013
Flyvbjerg, B., Garbuio, M., & Lovallo, D. (2009). Delusion and deception in large infrastructure projects: Two models for explaining and preventing executive disaster. California Management Review, 51(2), 170–193. https://doi.org/10.2307/41166485
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Love, P. E. D., Ahiaga-Dagbui, D. D., & Irani, Z. (2016). Cost overruns in transportation infrastructure projects: Sowing the seeds for a probabilistic theory of causation. Transportation Research Part A: Policy and Practice, 92, 184–194. https://doi.org/10.1016/j.tra.2016.08.007
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Martins, E. (2018). Contabilidade de custos (11. ed.). Atlas.
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Tayefeh Hashemi, S., Ebadati, O. M., & Kaur, H. (2020). Cost estimation and prediction in construction projects: A systematic review on machine learning techniques. SN Applied Sciences, 2(10), Artigo 1703. https://doi.org/10.1007/s42452-020-03497-1