RANKING ABRAS 2025 · 48ª Edição

Varejo Alimentar Brasileiro

Análise setorial: composição do faturamento, margens por departamento e rentabilidade por formato operacional — 2024/2025

I

Dimensão Macroeconômica e Posição Estrutural

Faturamento Bruto
R$ 1,067 tri
▲ 6,5% vs 2023
Participação no PIB
9,12%
▲ +0,10 pp vs 9,02%
Unidades Operacionais
424.120
▲ 2,3% (de 414.663)
Consumidores / Dia
30 mi
9+ mi postos diretos e indiretos
Taxa de Desemprego
6,2%
Menor da série PNAD Contínua
Inflação Alim. & Bebidas
7,69%
Pressão sobre volumes reais

Evolução do Faturamento (R$ bi)

Trajetória de intensificação secular 2014–2024

Paradoxo Estrutural

Crescimento nominal vs. pressão sobre volumes

Paradoxo: 8,7 milhões de brasileiros saíram da pobreza, impulsionando consumo nominal. Porém, inflação alimentar de 7,69% comprime volumes reais — o setor cresce em receita mas não necessariamente em unidades vendidas.
II

Composição Setorial do Faturamento

Participação por Departamento no Faturamento Total

Treemap — áreas proporcionais ao peso no faturamento

26,9%
Mercearia Seca
Líder absoluta em volume
45,2%
Perecíveis (total)
FFLVO + açougue + congelados + lácteos
~12%
Bebidas
Crescimento +11,3%
~8%
Perfumaria & Limpeza
+11,2% e +10,5%
~5%
Padaria & Bazar
Alta margem, baixo volume

Crescimento por Segmento — Scanntech 2023

Variação % do faturamento ano-a-ano

Composição FFLVO — 2024

Frutas, Flores, Legumes, Verduras e Ovos

Trade-up categorial: Em Jan/2026, carne bovina +12,5% e refrigerantes +9%, enquanto mercearia básica recuou -9,8% (arroz, açúcar, leite). O consumidor migra de itens básicos para categorias de maior valor agregado.
III

Estrutura de Margens: Faturamento ≠ Rentabilidade

Margem Bruta por Departamento vs. Participação no Faturamento

O paradoxo central: os setores de maior faturamento não são os de maior margem

Detalhamento de Margens por Departamento

Margem bruta estimada, papel estratégico e nível de risco operacional

Departamento Margem Bruta Barra Visual Papel Estratégico Risco
🥐 Padaria & Confeitaria 40–60%
Gerador de margem
Transformação de valor (farinha→produto)
4,62%
🥬 Hortifrúti (FLV) 30–45%
Fidelização / Frequência
Visitas semanais por frescor
4,73%
🥩 Açougue 20–30%
Âncora de ticket médio
Venda cruzada (carvão, bebidas)
Moderado
📦 Mercearia Seca 15–25%
Gerador de tráfego
27% do faturamento, margem comprimida
Baixo
🧺 Bazar & Não-Alimentos 30–50%
Melhor rendimento
Compra de oportunidade, baixa sensibilidade a preço
Baixo
Implicação estratégica: Se 70% das vendas vêm da mercearia (margem baixa) e apenas 5% da padaria (margem alta), a lucratividade geral será baixa. O segredo é incentivar o cliente a circular por toda a loja, aumentando a participação de setores como padaria e hortifrúti no carrinho final.
IV

Eficiência Operacional e Perdas

Margem Líquida do Setor
2,9%
Estável desde 2021 (faixa 1%–3%)
Margem Bruta Média
21,5%
Setor supermercadista — 2024
Eficiência Operacional
98,11%
Ineficiência: 1,89%

Índice de Perdas por Seção (%)

Pesquisa de Eficiência Operacional ABRAS 2025

Risco-Retorno: Margem vs. Perdas

Departamentos de maior margem = maior risco de perda

Paradoxo risco-retorno: Padaria (margem 40-60%, perdas 4,62%), FLV (margem 30-45%, perdas 4,73%), flores (perdas 6,67%). Os departamentos que mais geram valor são os que mais destroem valor quando mal geridos. A sofisticação gerencial é o diferencial.
V

Rentabilidade por Formato: Atacarejo vs. Convencional

Grupo Mateus

Melhor rentabilidade entre grandes players

R$ 1,35 bi
Lucro Líquido 2024 (▲12,7%)
Receita Líq.: R$ 32,1 bi (+19,8%)
EBITDA 1T25: R$ 650 mi (+27,4%)
Margem EBITDA: 7,8% (+0,9 pp)
Margem Bruta: 23%

Assaí

Recuperação em andamento

R$ 117 mi
Lucro Líq. trimestral (44% acima est.)
Vendas Líquidas: +8%
Margem EBITDA aj.: 7,1%

Carrefour Brasil

Margem pressionada pelo Atacadão

R$ 5,2 bi
Lucro Bruto 1T25 (+2,3% a/a)
Margem Bruta: 19,8%
Inferior aos pares — peso do atacarejo

Mesmas Lojas (SSS) — 2024

Atacarejo vs. Supermercado vs. Inflação

Inflexão do Atacarejo

SSS 2024-2025: regionais superam grandes grupos

Ponto de inflexão: Com Selic a 14%, a despesa financeira pressiona o lucro líquido. O atacarejo cresceu apenas 2,6% em SSS (abaixo da inflação de 4,26%), com queda de -3,4% em unidades. O consumidor faz trade-up de volta ao formato convencional.
VI

Síntese Analítica — Matriz de Posicionamento

Matriz Estratégica Tridimensional

Liderança por Faturamento × Margem Bruta × Lucro Líquido

Liderança por Faturamento
Liderança por Margem Bruta
Liderança por Lucro Líquido
Seção / Departamento
Mercearia Seca
≈27% do total
Seção / Departamento
Padaria
40–60% margem
Seção / Departamento
Mix Ponderado
Resultado do balanceamento
Cesta de Consumo
Perecíveis
45,2% do total
Cesta de Consumo
Produção Própria
Padaria, rotisseria
Cesta de Consumo
Controle de Perdas
Condicionante crítico
Formato de Loja
Atacarejo
>50% receita Top 3
Formato de Loja
Super Convencional
Margem bruta superior
Formato de Loja
Grupo Mateus
R$ 1,35 bi em 2024
Canal
Loja Física
Dominante
Canal
E-commerce
+18,4% em 2024
Canal
Regionais
SSS 7,3% em 2025

Proposições Analíticas Fundamentais

1

Descontinuidade Volume × Rentabilidade

A mercearia seca (≈27% do faturamento) funciona como gerador de tráfego com margens comprimidas, enquanto produção própria (padaria, rotisseria) e perecíveis (FLV, açougue) concentram a geração de valor — com risco operacional de 4–7% em perdas.

2

Ponto de Inflexão do Atacarejo

Após uma década de crescimento acelerado, SSS de 2,6% ficou abaixo da inflação (4,26%), com queda de -3,4% em unidades. Supermercados avançaram 5%. Perdas no formato subiram 48,1%. O consumidor faz trade-up de volta ao convencional.

3

Regionais como Vetores de Rentabilidade

Varejistas regionais registraram +7,3% em SSS nos primeiros 9 meses de 2025, enquanto os grandes grupos ficaram abaixo de 5%. Proximidade, sortimento adaptado e menor alavancagem financeira explicam a vantagem.